sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O SACERDÓCIO DAS MULHERES CRISTÃS

1. O USO DO VÉU
2. LIMITES


INTRODUÇÃO
O sacerdócio das mulheres cristãs na Igreja tem sido um assunto polêmico através dos séculos, com posições das congregações que vão desde a proibição pura e simples para qualquer tipo de manifestação até a ampla e irrestrita participação em todas as atividades.
Na verdade, as posições extremas e irrestritas, contra ou a favor, não são as corretas, porque é inegável que as mulheres têm participação, sim, na obra de Cristo, mas há limites claramente definidos e ordenados, como em tudo que ocorre dentro da Igreja.
Entre os condicionantes, um que causa disputa é o uso do véu, assunto confuso para muita gente, que não sabe se é apenas tradição e costume antigo ou exigência na Igreja e se pode ou não ser substituído pelo cabelo comprido. E como definir mulher com cabelo comprido ou tosquiado?
E quais são os limites do sacerdócio da mulher? O que ela pode e o que não pode fazer? As respostas a essas perguntas só podem ser encontradas na Bíblia.
1. O USO DO VÉU
(1º Cor 11.2-16)
“Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”. (Iº Co. 11. 5, 6).
“Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?” (Iº Co. 11. 13).

“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu”. (Iº Co. 11. 15).
Este texto de 1º Cor. 11.2-16 contém um aparente contraste: em dois lugares, determina-se a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres e, em outro, diz-se que o cabelo nas mulheres lhes foi dado em lugar de véu. O que deve ser feito para sanarmos essa dúvida e como se explica essa aparente contradição?
Os membros do corpo de Cristo são todos varões, sendo varão uma referência ao homem espiritual porque, em Cristo, não há macho nem fêmea (Gal 3.28). Nós não somos membros do corpo de Cristo pela carne, mas pelo espírito, mostrando que a diferença macho/fêmea, que é da carne, não existe Nele. Como a fêmea foi criada da carne do macho (Gn. 2.21-23), anulando-se o macho, desaparece a fêmea.
Mas como fazemos a nossa obra de servos nesse corpo de carne, usado por nosso homem interior (espiritual), o Senhor determinou o uso do véu pelas mulheres, pois, na organização divina, não há sacerdotisa e elas, sendo filhos, não podem ser impedidas de agirem como sacerdotes, como está escrito para todos os cristãos: “E nos fez reis e sacerdotes, para Deus e seu Pai” (Apoc. 1.6), “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1º Pe. 2.9). Portanto, ninguém pode exercer o sacerdócio divino como mulher-fêmea.
O véu, na Bíblia, é símbolo de lei, de sujeição ao poder, dando a entender que algo ou alguém está sujeito a um poder maior e, como exemplo, podemos citar Rebeca que, ao ver seu futuro marido Isaac, cobriu a cabeça, aceitando-o como seu senhor, tornando-se serva dele, figura de Cristo e da Igreja (Gn. 24.65). Na Bíblia, quanto ao serviço, existe uma sequência: Deus não é servo de ninguém e está sobre todos; Cristo, só é servo de Deus; o homem, no seu corpo de macho, é servo de Cristo e a mulher, como fêmea, é serva do homem (Ef. 5.22-29), que é também a mesma ordem de comando: Deus, cabeça de Cristo; Cristo, cabeça do homem-macho e o homem-macho, cabeça da mulher-fêmea (1º Co. 7.3). Para que essa última dependência, macho/fêmea, desapareça, espiritualmente, a mulher coloca o véu e, sendo este a figura da lei de Cristo, fica sujeita ao Senhor, tornando-se varão, servo de Cristo como qualquer homem. Essa relação Cristo, a cabeça e varões - o corpo - é que forma a Igreja. Nessa condição, há liberdade e igualdade espiritual, pois nós todos, como sacerdotes, só devemos obediência ao Sumo-Sacerdote, que é nosso Senhor Jesus Cristo.
Em Israel, segundo se deduz da afirmação de Paulo, a mulher podia rapar o cabelo ou tosquiar-se, assumindo, dessa forma, que era livre do domínio de homem (pai ou marido) e essa era a condição das prostitutas públicas. Por isso o texto diz que “... rapar-se ou tosquiar-se é indecente...”, porque essa era uma liberdade degradante. Portanto, foi dado outro sinal da liberdade da mulher na obra de servo de Cristo: “ponha o véu” (1º Co. 11.6).
Uma mulher verdadeiramente honesta jamais se tosquiaria ou raparia a cabeça em Israel, porque era um símbolo desonroso. A lei de Moisés criou uma estrutura social baseada no sexo e na idade: o homem adulto e os anciãos estavam no topo, com o mando social e a representação sacerdotal, depois vinham os jovens machos e, por fim, as mulheres, consideradas inferiores e dependentes. Com a lei de Cristo foi rompida essa hierarquia social e era necessário um sinal, visível para todas as criaturas, dessa mudança. Além disso, para os Anjos, que sempre serviram ao Senhor fielmente dentro da casa de Israel e conhecem a Lei de Deus dada a Moisés e que não sabem a verdadeira condição da mulher crente em Cristo, as mulheres continuam sendo inferiores e, por isso, “a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos”. (Iº Cor. 11.10) e esse sinal de poderio é o véu, entendido por todas as criaturas como a mulher sujeita a uma nova lei, a de Cristo. Dessa forma, em figura confirmada por suas ações, a mulher-fêmea revela o homem encoberto no seu coração (1º Pe 3.4). Nessa condição, com a cabeça coberta, ela pode orar ou profetizar, diante de Deus, da Igreja e dos Anjos, revelando o filho do Altíssimo que está dentro dela, como um servo cumprindo o papel para o qual foi eleito e vocacionado.
Quando Deus quis mostrar até que ponto havia chegado a decadência de Israel disse: “... mulheres estão à testa do seu governo. Ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Is. 3. 12). Essa afirmação mostra qual a visão que as criaturas divinas, debaixo da lei, tinham das mulheres, além de que os anjos também quiseram propagar o evangelho de Cristo e não foi permitido, como na conversão de Cornélio (At. 10.3-6; 1º Pe 1.12), ficando difícil de entender, para eles, como se permitia a alguém inferior (segundo o conhecimento deles) fazê-lo. O véu veio sanar essa dificuldade, mostrando-lhes que os homens (machos e fêmeas) trabalhavam como servos de Cristo, sob uma nova lei. O evangelho de Jesus Cristo, que é a salvação judicial de todo o que crê, só pode ser anunciado por filhos-servos de Deus, nunca por criaturas, seja macho, fêmea ou anjo.
Quando a mulher crente está reunida com outros irmãos (homens crentes), formando dessa maneira o corpo de Cristo, precisa usar o véu, para ser tão livre como eles, servindo ao Senhor com liberdade e igualdade espiritual. Quando está só, tendo o cabelo crescido, este atua como véu, para os estranhos à congregação, porque “ ... o cabelo crescido, lhe é honroso, e lhe foi dado em lugar de véu”. (1º Co. 11.13). Assim, o véu, na reunião dos crentes, anula o sexo e a dependência macho/fêmea e a mulher-fêmea é um irmão entre os irmãos e, na sua vida normal no mundo, o cabelo comprido substitui o véu. Para os homens é exatamente o contrário, a cabeça coberta por cabelos compridos lhes desonra, porque é como se estivessem sob a dependência de outro macho. Com essa ordenação, a igualdade fica garantida e entende-se que “Deus não faz acepção de pessoas” (At. 10.34), aceitando o serviço de todos os seus servos.
2. Limites do sacerdócio das mulheres nas congregações
Que às mulheres cristãs está garantido o direito sacerdotal, viu-se atrás. Entretanto, estabelecer o limite da ação sacerdotal da mulher, nas congregações, tem sido um problema não resolvido desde o início da Igreja. É fácil entender que, como a Igreja se originou dentro da nação judaica, houve muita resistência da sociedade patriarcal masculina a essa mudança radical de costumes que implicava a lei de Cristo, transformando todos os cristãos, homens e mulheres, em sacerdotes, segundo uma nova ordem: a de Melquisedec, tendo sido abolida a ordem levítica (Hb. 5.6,10;6.20;7.11,16;8.6,7; 1º Pe 2.9; Ap. 1.6). Aliás, a resistência à mudança de costumes e serviços ocorreu em todos os sentidos, mas a questão das mulheres se acomodou, agradando ao domínio machista da sociedade humana.
Textos bíblicos são usados tanto pelos que defendem a restrição total como pelos que propagam a abertura total do serviço às mulheres.
Os que restringem, usam: “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja”. (Iº Co. 14. 34, 35);
“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito porem, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (Iº Tim. 2. 12,13). E os que liberam, contra-atacam: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (At. 2.17); “E tinha este (Felipe) quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At. 21. 9).
Aparentemente, são textos contradiz entes, mas, se situados corretamente, veremos que não há contradição alguma neles.
No Velho Testamento, Joel profetizou (Jl. 2.28) a efusão do Espírito Santo sobre a Igreja, como avisou Cristo (At. 1.5) e como ocorreu no dia de Pentecostes (At. 2.1-21). Evidentemente, a efusão do Espírito foi sobre todos os cristãos – homens e mulheres; jovens e velhos -, mesmo porque a Bíblia diz que quem não tem o Espírito de Cristo não é Dele (Rm 8.9), sendo a presença dele em nós, a confirmação da nossa salvação e filiação divina, de maneira irreversível (2º Co. 1.22; Ef. 1.13). O sinal característico da presença do Espírito Santo em nós é que profetizaremos e teremos visões e sonhos.
O que significa profetizar, ter visões e sonhos?
“ Profetizar”, etimologicamente significa “falar antes” e é, caracteristicamente, o que fez Joel anunciando a efusão do Espírito Santo mais de seiscentos anos antes do acontecimento. Todos os profetas da Bíblia agiram assim e todas as profecias que eram mister serem anunciadas aos homens já o foram, desde Gênesis até Apocalipse. Quanto à forma de anuncia-las, todos os profetas falaram publicamente, e escreveram, para que ficasse em testemunho do aviso de Deus até a data da sua ocorrência, a fim de que nenhum homem pudesse negar a misericórdia do Senhor, avisando-o dos fatos, antes que acontecessem. Assim podemos afirmar, resumindo, que: “ profeta é aquele que anuncia, pública e antecipadamente, o que Deus fará aos homens”. Profeta é o agente, profetizar é a ação e profecia, o objeto da ação.
No tempo presente, “profetizar”, segundo se depreende de 1º Co. 14.3, tem mais um significado – o de edificação, exortação e consolação, sendo sinal para os fiéis (1º Co. 14.22) e todos os crentes, homens e mulheres, podem fazê-lo. Nós vemos que as filhas solteiras de Filipe eram profetizas e que cumpriam o seu ministério, o que evidentemente significa que expunham a palavra em público, dentro da Igreja.
Mas a Bíblia não diz que profetizar, como edificar, exortar e consolar, é o único dom dos crentes, embora este seja indicado como um dom de todos. Está escrito que Cristo “... mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef. 4.11), indicando a diversidade de dons dentro da Igreja e que cada um destes dons exige uma qualificação diferenciada. Em 1º Co. capítulos 12 a 14, o apóstolo Paulo fala de diversos dons e da necessidade de ordem dentro das reuniões dos cristãos e é, nesse contexto, que ocorre a famosa proibição: “as mulheres estejam caladas nas igrejas”, logo após a afirmação que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”
Se todos podem dizer aos outro o que Cristo fez por nós, dando testemunho pessoal, edificando-nos, consolando-nos e exortando-nos uns aos outros, todos não deveremos ser usados naquelas funções para as quais Cristo tem qualificado alguns em particular, conforme a lista acima, que trata de dons específicos. E nessa qualificação, nosso Senhor leva em consideração algumas condições que Ele mesmo estabelece. Por exemplo, determina que a congregação seja governada e ensinada por “presbíteros” (anciãos, bispos - At. 14.23; 1º Tm. 5.17; Tt. 1.5) dos quais se exigem certas qualidades humanas e espirituais, sendo, necessariamente, homens casados com uma só mulher, experientes e de longa trajetória na Igreja (1º Tm. 3.2-7; Tt. 1.6-9). Não há nenhum homem que possa ter todas as qualidades do presbítero; por isso, a Igreja é governada por um presbitério, onde diversos homens maduros se completam e preenchem as qualidades exigidas por Cristo, reconhecidas neles pelos crentes. Evidentemente, quase todos os homens adultos, todos os jovens e todas as mulheres estão excluídos dessa função.
Assim como para o presbitério, usado acima como exemplo, em todos os outros dons específicos há condições específicas. Algumas atividades são comuns a todos os crentes, outras são para os homens e outras, para as mulheres. A Bíblia e o bom senso, assistidos pelo Espírito, indicam o que se deve fazer. Paulo, por exemplo, cita as mulheres que trabalharam com ele e Clemente no evangelho, como cooperadoras (Fp. 4.3), mostrando que a evangelização é comum a todos os crentes. Febe é citada como irmã que serve na igreja de Cencréia, e é quem, provavelmente, levou a carta de Paulo aos Romanos (Rm. 16.1). Essas mulheres, como cooperadoras, eram evangelistas e diaconisas.
Voltando a 1º Co. 14:34,35, observamos que, à essa proibição de falar, feita às mulheres, antecede-se a afirmação de que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”, mostrando que as mulheres foram proibidas de falar numa reunião sem paz, com muita encrenca e confusão. Que reunião seria essa? Temos uma pista em At. 15. No primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém houve grande contenda entre apóstolos, anciãos e irmãos. E podemos ver nas cartas de João que, muitos anos depois, ainda havia contenda entre dirigentes (3º Jo. 9,10). Há outros exemplos no Novo Testamento (At. 15.36-41; Gl. 2.11-13) e as reuniões de dirigentes costumam ser, até hoje, conturbadas. Logo, o que houve em Corinto foi que as mulheres se meteram em questões do presbitério, falando e envolvendo-se com assuntos que não eram delas, como governo e ensino, inclusive desrespeitando maridos presbíteros. Por isso, a proibição está restrita às mulheres casadas, ao ensino e ao respeito aos maridos presbíteros, que tinham condição de ensiná-las em casa e não podiam ser desqualificados publicamente por suas esposas. Se um presbítero não é capaz de se impor à sua mulher, governando a sua casa (uma das condições de 1º Tm. e Tito), como vai ser capaz de se impor na Igreja?
Vemos, pelo explanado, que não há proibição para o trabalho da mulher nas igrejas e nem para o trabalho de qualquer irmão. Apenas devem ser respeitados os limites de cada trabalho e tudo feito decentemente, com ordem (1º Co. 14.40). Sempre há um risco muito grande de erro, quando se interpreta um texto fora do seu contexto, criando pretexto para qualquer tipo de ideia. Isso tem sido feito com 1º Co. 14.34,35 que tem sido generalizado para justificar qualquer proibição às mulheres.
Há ainda, um aspecto que não pode ser negligenciado: embora as congregações reflitam, no seu aspecto humano, a complexidade da comunidade onde estão instaladas, havendo nelas machos, fêmeas, jovens, velhos, brancos, negros, amarelos, ricos, pobres, livres, servos, etc., espiritualmente, o corpo é um só, varão, porque é o corpo de Cristo, mas, funcionalmente, existe um casal, onde a Igreja é a Esposa do Cordeiro e Cristo é o Marido, o Cordeiro.
Em Ef. 5.22,23 Cristo compara a sua relação com a Igreja à figura do casamento: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo”. Ele cumpre o que está escrito: “serão dois numa só carne” (Gn. 2.24) e “... o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito”. (Iº Cor. 6.17) e aí está o casamento perfeito: a Igreja, como Esposa e Cristo, como o Marido, tendo Ele feito a obra da salvação judicial e onde, nós, a Esposa, estamos fazendo a salvação moral pelas obras, não havendo, nesse casamento, lugar para carne e sangue animais (1º Co. 15.50), que é onde está a diferença macho/fêmea. Ele e a Igreja formam um ente indivisível, tendo o Marido dado a vida pela esposa (Igreja), santificando-a, ensinando-lhe, glorificando-a e preparando-a para as boas obras. Essa é a verdadeira figura do casamento, dado como modelo para o casamento dos homens. O Senhor espera que a sua esposa ame-O, respeite-O e Lhe seja obediente. Muitas vezes a nossa vaidade humana tem posto a perder toda a obra da Igreja, porque a Esposa do Cordeiro não tem agido de maneira digna de seu Marido. O Esposo divino quer sua esposa (igreja) gloriosa, pura, santa, cheia de viço e beleza, obediente só a Ele, inclusive no uso do véu.
Embora, comumente, se use indistintamente o termo macho igual a homem e fêmea igual à mulher, na Igreja não é assim, porque macho e fêmea se referem à condição animal, biológica, da raça humana, enquanto que mulher e homem relacionam-se às funções que os crentes podem exercer dentro da obra. Todos os crentes, machos e fêmeas, é Mulher quando agem como filhos-servos de Cristo neste mundo, fazendo a obra de gerar e educar filhos para o Senhor, criando a Família de Deus e todos os crentes, machos ou fêmeas são Homem quando adoram ao Pai, na Ceia, assumindo a posição de Filhos adoradores.
Assumindo-se, pois, a Igreja como a Esposa, ela realmente deve ficar em silêncio diante de Cristo, aprendendo com toda a sujeição e humildade, não se intrometendo em assuntos de governo e ensino, que são exclusividade do Marido. A Palavra escrita, a Bíblia, não pode ser deturpada por interpretações interesseiras, onde prepondere a carne. Quando nós queremos deixar mais da metade dos cristãos – a parte feminina - calados, baseando-nos numa restrição de ordem sexual, certamente estamos interferindo no magistério de Cristo e isto fica claro na interpelação do apóstolo: “é decente a mulher orar com a cabeça descoberta?”, dando a entender claramente que, com a cabeça coberta, o é.
Por isso a Bíblia alerta: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs subtilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo:” (Col. 2. 8), “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tg. 1.5).
Desde que nós peçamos sabedoria com toda a humildade, sabendo de nossa total dependência de Deus, com o firme propósito de usar o conhecimento recebido no serviço de Cristo, entenderemos que todos os salvos, homens ou mulheres, temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações, diferenciados os serviços, apenas pelo dom que foi dado a cada um e por sua limitação bíblica.
Saberemos também que todos comparecerão ante o tribunal de Cristo, para recebermos bem ou mal, segundo o que tivermos feito por meio deste corpo de carne (Rm. 14.10), na formação e no desenvolvimento espiritual da grande família dos filhos de Deus. Que cada um faça bem firme a vocação e eleição de acordo com o dom que recebeu do Espírito Santo, pois é Ele quem pôs cada um no corpo como quis, de acordo com a sabedoria de Deus (Ef. 4.11,12). Que ninguém impeça outrem de exercer a sua vocação ou queira usurpar o seu lugar no corpo de Cristo e, principalmente, o lugar do Senhor Jesus, que é a cabeça da Igreja.
Louvado seja o nosso Deus e Pai para todo o sempre pelas suas infinitas misericórdias e pelo seu grande amor com que nos amou por sua glória e virtude. Amem!


A.F.S.M.

domingo, 15 de maio de 2016

A História de Jacó e Raquel - e muito ensino para nós!

Armado com a preciosa promessa da presença de Deus, Jacó se dirigiu para Harã, a terra da família de sua mãe. Foi uma jornada longa e solitária. Quando chegou aos arredores da cidade, ele estava exausto, com os pés doloridos, com saudades de casa e sem saber exatamente aonde ir. Ele viu um poço e parou para descansar. Havia alguns pastores sentados por ali e ele começou a conversar com eles: “Meus irmãos, donde sois? Responderam: Somos de Harã”. Jacó provavelmente soltou um suspiro de alívio. O Senhor o levara em segurança ao seu destino. Ele continuou: “Conheceis a Labão, filho de Naor? Responderam: Conhecemos. Ele está bom? Perguntou ainda Jacó. Responderam: Está bom. Raquel, sua filha, vem vindo aí com as ovelhas” (Gn. 29:4-6).
Jacó virou a cabeça e deu um olhar fatal; sem dúvida, foi amor à primeira vista. Ela era linda, “formosa de porte e de semblante” (Gn. 29:17). E seus olhos — como eram deslumbrantes! Se comparados aos da irmã mais velha, Lia, que não tinham brilho ou luz, eles devem ter sido pretos e brilhantes, de uma beleza cativante.
Jacó ficou muito impressionado — talvez, até demais. A ideia que temos é que ele ficou tão fascinado pela beleza de Raquel, e tão encantado com seu charme, que nem viu seus defeitos ou considerou a vontade de Deus em relação a ela. E, sendo um manipulador sagaz como era, na mesma hora começou a tratar do assunto. Ele lembrou aos pastores que ainda era hora de apascentar as ovelhas, e eles deveriam dar de beber aos rebanhos e levá-los de volta ao pasto enquanto era dia, provavelmente uma manobra para se livrar deles e poder conversar com Raquel a sós. Os pastores, no entanto, tinham algum tipo de acordo de não rolar a pedra de volta à boca do poço enquanto todos os rebanhos não estivessem reunidos (Gn. 29:7-8).
“Falava-lhes ainda, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai; porque era pastora.  Tendo visto Jacó a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, chegou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho de Labão, irmão de sua mãe” (Gn. 29:9-10). Jacó pode ter sido um homem caseiro, mas não era um fracote. Ele moveu uma pedra que, normalmente, precisaria de vários homens para ser movida; e deu água às ovelhas de Rebeca. Será que ele estava se exibindo um pouquinho?
Continuando a leitura: “Feito isso, Jacó beijou a Raquel e, erguendo a voz, chorou” (Gn. 29:11). A emoção daquele momento tomou conta dele. A direção e o cuidado milagroso de Deus, a empolgação do encontro com sua bela prima, a perspectiva do que lhe reservava o futuro — tudo isso encheu tanto seu coração, que ele chorou de alegria. Em nossa cultura, é estranho ver um homem expressar suas emoções dessa forma, mas a expressão sincera dos sentimentos de uma pessoa pode melhorar a saúde emocional e dar mais estabilidade conjugal.
Parece que o romance ia ter um início ardente. A bela da vizinhança e o garotão novo na cidade tinham se encontrado. No entanto, este início nos faz ficar com a pulga atrás da orelha sobre essa união. Sabemos que um relacionamento baseado originalmente na atração física está em terreno instável. Hollywood tem nos dado boas evidências para essa tese. E os infortúnios de um notório jogador de futebol americano e a volta pra casa de uma rainha também dão base para isso1. Esses casais podem fazer o casamento dar certo, mas exigirá um pouco mais de esforço, e eles precisarão trabalhar sua relação para além do magnetismo físico que deu início a ela.
Contudo, quando um homem está enamorado de uma mulher, não quer ouvir esse tipo de coisa. Ele vai tê-la e nada mais importa. Só um mês depois de Jacó ter chegado a Harã, Labão vai ter com ele para ver se poderiam chegar a um acordo salarial mutuamente aceitável. A Escritura diz que Jacó amava Raquel e se ofereceu para servir Labão durante sete anos, a fim de receber a mão dela em casamento (Gn. 29:18). Ele não tinha nada a oferecer a Labão, por isso, prometeu seu trabalho no lugar do dote. Agora, ficamos ainda mais encasquetados. Um mês não é tempo suficiente para chegarmos a conhecer alguém o bastante para fazer um compromisso para toda vida e, com certeza, não é tempo suficiente para saber se amamos ou não a pessoa. O verdadeiro amor exige conhecimento profundo. Dizer que amamos alguém a quem não conhecemos intimamente é simplesmente dizer que amamos a nossa imagem mental dessa pessoa. E, se ele ou ela não corresponderem a essa imagem, então, o dito “amor” vira desilusão e ressentimento e, às vezes, até aversão.
Jacó, entretanto, achou que estava apaixonado. Quando Raquel estava por perto, seu coração batia mais rápido e um sentimento maravilhoso tomava conta dele. Ela era a criatura mais linda em que seus olhos tinham pousado e ele achava que a vida sem ela não valia a pena. Para ele, isso era suficiente. “Assim, por amor a Raquel, serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava” (Gn. 29:20). Na verdade, essas palavras são as mais belas que já foram escritas sobre o sentimento de um homem por uma mulher. Sete anos é um longo tempo de espera, e eu acho que o amor de Jacó por Raquel cresceu muito durante esses anos. A atração física ainda estava presente, mas não era possível ele viver tão próximo a ela durante tanto tempo e não ter aprendido muitas coisas a seu respeito, tanto boas como ruins. Esse casamento ia passar por momentos difíceis, mas não fosse o longo compromisso e o amor profundo e maduro de Jacó, provavelmente não teria sobrevivido.
Muitas pessoas se casam rápido demais e depois se arrependem. Sete anos de compromisso talvez seja um pouco exagerado, mas é preciso tempo para conhecer as qualidades desejáveis e indesejáveis de uma pessoa, a fim de decidir se podemos nos dar de forma abnegada pelo bem do outro, apesar de suas características desagradáveis. Por isso, um bom teste para o verdadeiro amor é a capacidade de esperar. A paixão normalmente tem pressa porque é egoísta. Ela diz: “Eu me sinto bem quando estou ao seu lado, por isso, vamos nos casar logo antes que eu lhe perca e a esse sentimento tão bom”. O amor diz: “Meu maior desejo é a sua felicidade e estou disposto a esperar, se for preciso, para ter certeza de que isso é o melhor para você”. E, se for verdade, ele vai passar pelo teste do tempo. Jacó esperou, e seu amor à primeira vista se tornou uma ligação profunda e um compromisso completo da alma.
Há um antigo ditado que diz: “O verdadeiro amor nunca se desgasta”. Foi assim com Jacó e Raquel. Vamos dar uma olhada nesse amor sob grande stress. Tio Labão foi alguém que tentou entornar o caldo. Astuto, velhaco e malandro como era, ele substituiu Raquel por Lia na noite do casamento de Jacó. Usando um pesado véu e roupas longas e esvoaçantes para encobrir o corpo, Lia conseguiu passar a cerimônia toda sem ser detectada. Na tenda escura, ela passou a noite falando aos sussurros. Dá para imaginar o tremendo choque de Jacó quando a luz da manhã revelou a tramoia de Labão? Ele deve ter ficado furioso com a família inteira por causa dessa armação traiçoeira.
Esta não foi a melhor maneira de Lia começar sua vida de casada, não é? Suspeito que ela amasse Jacó desde o princípio e queria ser correspondida. De bom grado ela ajudou o pai a colocar seu plano em prática, mas encontrou pouquíssima satisfação no marido que conseguiu por meio de trapaça. Enganar alguém para se casar é um negócio muito arriscado, mas ainda é feito hoje em dia. Algumas mulheres tentam comprar um marido com sexo ou prendê-lo com um bebê ou, ainda, apelando para a fortuna da família. Um homem também pode prender uma mulher prometendo-lhe riquezas ou enganá-la fingindo ser o que não é, mascarando seus defeitos até o dia do casamento. Às vezes, mal termina a lua de mel e a esposa descobre que se casou com um monstro que não conhecia. As consequências da farsa geralmente são dolorosas e angustiantes.
O “generoso” Labão dispôs-se a lhe dar também Raquel, se Jacó trabalhasse para ele por mais sete anos. “Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás” (Gn. 29:27). Esta semana se refere à semana das festividades de casamento. Jacó não teve de esperar outros sete anos para ter Raquel, só uma semana. Mas ele teve de trabalhar mais sete anos sem pagamento depois de se casar com ela. “Mas Jacó amava mais a Raquel do que a Lia; e continuou servindo a Labão por outros sete anos” (Gn. 29:30).
E, assim, temos o primeiro patriarca temente a Deus entrando em um relacionamento bígamo. Não era essa a vontade perfeita de Deus. Deus fez uma mulher para cada homem (Gn. 2:24, cf. também Lv. 18:18, 1 Tm. 3:2). Embora Jacó tenha sido enganado, havia outras opções. Alguns comentaristas dizem que ele deveria ter rejeitado Lia, uma vez que não a teve por vontade própria. Gostaria de sugerir outra possibilidade: ele poderia ter aceitado seu casamento com Lia como sendo da vontade de Deus e aprendido a amar só a ela. Isaque aceitou as consequências da farsa de Jacó quando este se passou pelo irmão, Esaú, e roubou a bênção da família; e Isaque foi elogiado por isso no Novo Testamento. Talvez Jacó também fosse elogiado por aceitar as consequências da vontade soberana de Deus se tivesse galgado esse degrau da fé. E, gostaria de lembrar, ainda, que foi Lia, não Raquel, a mãe de Judá, por meio de quem viria o Salvador (Gn. 29:35). Mas Jacó não estava disposto a acreditar no controle de Deus sobre a situação. Ele ia ter o que queria, embora esta não fosse a vontade de Deus. E os acontecimentos seguintes devem ser evidência suficiente de que bigamia nunca foi parte do plano de Deus para a raça humana.
Sob a pressão desse relacionamento bígamo, a verdadeira personalidade de Raquel veio à tona. Quando percebeu que Lia dava filhos a Jacó, e ela não, ela ficou com muito ciúme da irmã e disse a Jacó: “Dá-me filhos, senão morrerei” (Gn. 30:1). Essencialmente, ela estava dizendo: “se as coisas não podem ser do meu jeito, prefiro morrer”. Eis uma mulher que tinha quase tudo na vida — grande beleza física, todo tipo de coisas materiais e a devoção profunda de um marido apaixonado. Será que o amor de Jacó não valia mais que uma porção de filhos? Não, não valia, pelo menos não para Raquel. Ela tinha de ter tudo que queria ou a vida não valeria a pena. Ela estava cheia de inveja, egoísmo, irritação, impaciência, infelicidade e exigência. E Jacó acabou perdendo a paciência, “Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar?” (Gn. 30:2).
A raiva dele não tinha razão de ser aos olhos de Deus, mas sua avaliação da situação estava totalmente certa. O milagre da concepção está no poder de Deus.
A insatisfação tem arruinado incontáveis relacionamentos desde a época de Jacó. Alguns casais ficam zangados por Deus não lhes dar filhos, enquanto outros não veem a hora dos filhos crescerem e saírem de casa para que tenham paz e sossego. Donas de casa querem trabalhar fora, e mulheres que trabalham fora querem ficar em casa em tempo integral. Há cristãos descontentes com o lugar onde vivem, com o emprego, com o dinheiro que possuem e com a casa onde moram. Para eles, há sempre algo mais que parece melhor. Algumas esposas estão descontentes com o marido. Elas se queixam e reclamam porque eles não lhes dão atenção suficiente, não passam muito tempo com os filhos, não querem consertar as coisas em casa, ficam fora até tarde ou pensam mais no trabalho, no carro, no lazer, na televisão e nos esportes do que nelas. Alguns maridos estão descontentes com a esposa. Eles as criticam pelo jeito como se vestem, como arrumam o cabelo, como cozinham, como arrumam a casa ou como cuidam dos filhos. Ficam irritados porque elas dormem até tarde, porque comem demais, porque perdem muito tempo ou porque gastam muito dinheiro. Não importa o quanto elas tentem, elas nunca conseguem agradar o marido.
Algumas dessas coisas são importantes e precisam ser discutidas. Não estou sugerindo que sejam totalmente ignoradas e soframos em silêncio. No entanto, o espírito de insatisfação que nos faz discutir, implicar, bater-boca, brigar e reclamar é um grande empecilho para um relacionamento conjugal feliz. Deus quer que estejamos contentes com o que temos. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Tm. 6:6). Paulo podia dizer: “Porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp. 4:11). Quando somos capazes de reconhecer a presença da insatisfação na nossa vida e vê-la como pecado, podemos buscar a graça de Deus para superá-la e encontrar novas alegrias.
O descontentamento de Raquel a levou ao mesmo tipo de estratagema carnal tentado por Sara. Ela deu sua serva Bila a Jacó, para que ele tivesse um filho com ela, e fez isso duas vezes (30:3-8). Tecnicamente, na cultura daquela época, os filhos dessa união seriam filhos de Raquel. No entanto, temos outro vislumbre da sua natureza egoísta quando nasceu o segundo filho de Bila. Raquel disse: “Com grandes lutas tenho competido com minha irmã e logrei prevalecer” (Gn. 30:8). Ela chamou a criança de Naftali, que significa “luta”. Ela via a si mesma em disputa com a irmã pelo primeiro lugar na opinião de Jacó.
Pouco tempo depois, sua insatisfação ciumenta foi vista novamente. O pequeno Rubem, primogênito de Lia, que devia ter uns quatro anos na época, foi ao campo atrás dos ceifeiros e pegou umas plantas chamadas mandrágoras, ou maçãs do amor, como fazia qualquer garotinho naquele tempo. Quando ele as trouxe para casa e as deu à sua mãe, Raquel as viu e disse que também queria. Ela parecia sempre querer algo que era dos outros. Por isso, ela deu os favores de Jacó a Lia naquela noite em troca de algumas dessas maçãs do amor (Gn. 30:14-15).
Mas o espírito de insatisfação apareceu novamente na vida de Raquel. Deus finalmente lhe deu o seu próprio filho, por isso, era de se esperar que ela ficasse satisfeita. No entanto, ela lhe deu o nome de José, que significa “possa ele dar mais”. E disse: “Dê-me o SENHOR ainda outro filho” (Gn. 30:24). Mais, mais, mais! Raquel nunca estava satisfeita com o que tinha.
Mas ainda não acabou. Deus disse a Jacó que era hora de deixar o tio Labão e voltar para casa, em Canaã. Jacó havia prosperado tanto que Labão não era mais favorável a ele. Por isso, ele reuniu suas esposas, seus filhos e seus pertences e saiu de fininho enquanto Labão tosquiava as ovelhas. Mas Raquel pegou alguma que não era de nenhum deles; ela pegou os ídolos de seu pai, uns ídolos do lar chamados terafins (Gn. 31:19). Quem possuísse essas imagens era aceito como o principal herdeiro da família, mesmo sendo o genro.
Mais uma vez, a ganância de Raquel estava se revelando. Ela queria que seu marido, não seus irmãos, tivesse a maior parte da herança da família, para que também pudesse se beneficiar dela. Quando Labão, finalmente, os alcançou e procurou entre os pertences deles por seus terafins, Raquel mentiu para ele e o enganou para que ele não os encontrasse (Gn. 31:33-35). A adorável Raquelzinha parece ter sido uma megera!
Mas sabem de uma coisa? Exceto pela vez em que Jacó se zangou com ela por tê-lo culpado pela falta de filhos, não há nenhuma indicação de que ele a tenha amado menos por causa dos seus defeitos. Na verdade, há indícios de que ele manteve sua devoção até o final da vida dela. Por exemplo, ela a colocou numa posição privilegiada, em último lugar do grupo, quando eles foram ao encontro de Esaú e suas vidas poderiam estar em perigo (Gn. 33:2). Jacó estava longe de ser perfeito, mas ele é um exemplo para nós de como um marido deve tratar a esposa quando ela não é tudo o que deveria ser.
Alguns maridos dizem: “Eu gostaria mais dela se ela fosse mais amável”. Amor que só funciona quando a esposa é amável não é realmente amor. Deus quer que as esposas sintam a intensidade do amor do marido por elas até quando estão agindo como idiotas (Ef. 5:25). E a maioria de nós tem momentos assim. Talvez os homens, de vez em quando, devessem se perguntar, principalmente quando houvesse algum desentendimento: “Minha esposa tem consciência do meu amor por ela neste momento? Ela está sentindo amor ou está sentindo raiva, hostilidade e rejeição?” Deus fez a mulher com necessidade de ter a segurança do amor do marido por ela durante todo o tempo. E isso vai depender muito da atitude dele nas menores coisas, tais como a expressão do seu rosto ou o tom da sua voz, especialmente quando ela estiver mal-humorada ou chateada.
Já vimos o amor de Jacó à primeira vista e também seu amor sob grande stress. Finalmente, vamos ver seu amor em meio à profunda tristeza. Deus permitiu a Raquel ter um último pedido atendido. Ela gerou outro filho. Seu parto foi muito difícil e logo ficou evidente que ela ia morrer quando a criança nascesse. Quando a parteira lhe disse que ela dera à luz, ela balbuciou o nome da criança com um último suspiro — Benoni, que significa “filho da minha tristeza”. Mais tarde, Jacó mudou-o para Benjamim, que quer dizer “filho da minha destra”. Mas isso não é ironia? Um dia, anos antes, ela gritou: “Dá-me filhos, senão morrerei”. E ela morreu dando a luz ao segundo filho. A criança sobreviveu. Raquel, no entanto, foi sepultada ao lado do caminho que liga Belém a Jerusalém. Ainda podemos visitar seu túmulo, um monumento permanente ao desastre da insatisfação.
Jacó nunca se esqueceu de Raquel. Aos 147 anos de idade, ao reunir todos os filhos no Egito para abençoá-los, ele ainda pensava nela. “Vindo, pois, eu de Padã, me morreu, com pesar meu, Raquel na terra de Canaã, no caminho, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata; sepultei-a ali no caminho de Efrata, que é Belém” (Gn. 48:7). Ele a amou até o fim da vida. Mas, que bem fez isso a ela? Ela não conseguiu aproveitar totalmente esse amor. A insatisfação que a corroia impediu-a de desfrutar plenamente qualquer coisa, e impediu outras pessoas de gostarem dela. Isso a isolou num mundo amargo de solidão. Então, ela morreu, deixando Jacó para a irmã que ela tanto invejou em vida. E, mesmo na morte, ela continuou sozinha. A pedido de Jacó, ele foi sepultado ao lado de Lia na caverna de Macpela, em Hebrom, junto de Abraão, Sara, Isaque e Rebeca (Gn. 49:29-31; 50:13). Raquel jaz sozinha.
Será que a nossa solidão ou os conflitos nos nossos relacionamentos são consequências de um espírito interior de insatisfação? Isso não vai mudar enquanto pensarmos que podemos encontrar satisfação em coisas materiais ou circunstâncias melhores. Raquel é prova disso. A verdadeira satisfação só pode ser encontrada no Senhor. Ele é o único que satisfaz a sede da alma e sacia sua fome com coisas boas (Sl. 107:9). Ele nos diz para nos contentarmos com aquilo que temos, pois, embora as circunstâncias da vida mudem todos os dias, Ele é imutável e está sempre conosco (Hb. 13:5). Conforme aumentar o nosso conhecimento, pelo estudo da Palavra de Deus e pela oração em Sua Presença, encontraremos mais paz e maior satisfação dentro de nós. E, então, seremos capazes de receber, com gratidão, aquilo que Ele nos dá e, ao mesmo tempo, agradecer por aquilo que Ele não nos dá, confiantes de que os Seus caminhos são perfeitos. E seremos capazes de mudar aquilo que pode ser mudado, enquanto aceitamos alegremente aquilo que não pode ser mudado, tendo a certeza de que é parte do Seu plano perfeito para nos levar à maturidade em Cristo.

Vamos Conversar Sobre isso

  1. Discuta a validade de um conhecimento maior e mais profundo antes do casamento. Como casais que se uniram sem esse conhecimento podem compensá-lo agora?
  2. O que Raquel poderia ter feito para controlar sua insatisfação e seu ciúme? O que Jacó poderia ter feito para ajudá-la?
  3. Quais coisas na sua vida você consideraria de maior valor?
  4. Termine a frase como teria feito antes de ler este capítulo: “Eu poderia ser feliz se ao menos…”
  5. Se você completou a frase com algum tipo de situação melhor ou de bem material, como poderia terminá-la sendo mais coerente com os princípios da Palavra de Deus?
  6. Quais características do seu cônjuge lhe dão mais satisfação? Quais o incomodam mais? Se sentir que certas coisas devem ser mudadas, o que fará?
  7. Você tem ciúmes de outra pessoa? Como Deus quer que você lide com esse sentimento?
  8. Para os maridos: Sua esposa sempre sente seu amor por ela? Talvez você descubra perguntando a ela. Como você pode demonstrar o seu amor mesmo quando ela está “atacada”?

1 O. J. Simpson e Grace Kelly

Texto publicado em: https://bible.org/node/23546

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Edificação da Obra do Senhor

Palavra escrita segundo o Espírito Santo que habita em mim, pelo poder de nosso Deus, para a edificação de Sua obra e para toda a glória de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.“O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (I João 1:3).
Gostaria de falar a você sobre um assunto que todos tentamos não pensar, que é a hora de nossa morte. Entretanto, nenhum homem pode escapar dela, seja cedo ou tarde todos morreremos. Então perguntarei a você: se você morresse agora, o que lhe aconteceria? Seria você ressuscitado? Iria você estar com Deus? “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,”; “E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,”; “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos?”; “Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.”; “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (I Coríntios 15:3,4,12,16 e 19).
         Portanto meus queridos, se vocês não sabem o que vai lhes acontecer após a sua morte na carne, ou tem dúvidas sobre o que virá depois, então infelizmente tenho que lhe dizer que pra Deus você já está morto. Não morto na carne, mas sem o Espírito Santo que habita nas pessoas que crêem em Jesus Cristo, o Filho de Deus, ou seja, você está separado eternamente de Deus. Pois ao contrário do que muitos pensam, Ele é o Deus de justiça e quando chegar o seu último dia, Ele estará lá para lhe dar o julgamento final: a condenação ou a salvação eterna. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (S. João 3:16); “Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus: digo-o para vergonha vossa.” (I Coríntios 15:34)
         Existe um hino, uma música de louvor ao Senhor, que faz com que paremos para refletir justamente sobre este momento. Transcrevê-lo-ei para que  também possam refletir:

A ÚLTIMA HORA

(JOÃO DIENERS)


1                     AO FINDAR O LABOR DESTA VIDA,
QUANDO A MORTE AO TEU LADO CHEGAR,
QUE DESTINO HÁ DE TER A TUA ALMA?
QUAL SERÁ NO FUTURO TEU LAR?

REFRÃO                  MEU AMIGO, HOJE TENS TU A ESCOLHA:
                               VIDA OU MORTE, QUAL VAIS ACEITAR?
                               AMANHÃ PODE SER MUITO TARDE;
                               HOJE CRISTO TE QUER LIBERTAR.

2                      TU PROCURAS A PAZ NESTE MUNDO,
EM PRAZERES QUE PASSAM EM VÃO;
MAS NAS ÚLTIMAS HORAS DA VIDA,
ELES NUNCA TE SATISFARÃO.

3                      MEU AMIGO, TALVEZ TENHAS RIDO
AO OUVIRES FALAR DE JESUS;
NÃO TE ESQUEÇAS QUE, PARA SALVAR-TE,
ELE DEU SUA VIDA NA CRUZ.

         Que estas palavras lhe sirvam de conforto e entendimento, para que saiba que Deus enviou seu Filho, Jesus Cristo, a este mundo, para morrer por todos nós pecadores e para que todo aquele que nEle crer seja salvo e habite com Ele eternamente. “Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados.” (I João 2:12); “Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nEle, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:40); “Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer.” (I Coríntios 15:35 e 36); “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (I Coríntios 15:51 e 52); “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” (I João 3:2).
         E quando estas escrituras foram feitas, Deus a nós deixou, para que não houvesse dúvida, sobre a salvação daquele que em Jesus Cristo crer. E que após a nossa morte seremos ressuscitados e teremos a vida eterna.
         Então, ao contrário do que muitos pregam, que para sermos salvos não basta apenas crer em Jesus Cristo, mas antes temos que fazer certas coisas (como deixar de fumar, a mulher apenas usar saia, não cortar o cabelo, não poder estar “amaziado” e sim  casado legalmente segundo a lei dos homens, não ingerir bebidas alcoólica ... e várias outras coisas), esquece que Jesus veio a este mundo e que foi morto crucificado por nós, para nos salvar. Não é necessário mais nada para salvação, apenas crer n’Ele, em sua obra na cruz, que Deus nos deu a salvação de graça e, que não é necessário nenhum sacrifício da carne, senão apenas crer em seu Filho Jesus o Cristo. “E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:6,7,8 e 9).
         Então, quando algumas pessoas que ouvem ou lêem isso, mas tem um falso entendimento da palavra do Senhor, ficam confusas e chegam a duvidar da própria Escritura Sagrada. Assim, por extrema ignorância de um falso entendimento da palavra do Senhor, fazem-se perguntas como: Quer dizer que se eu sair aprontando, agindo com maldade para com os outros,  se eu crer em Jesus Cristo, mesmo assim serei salvo?
         E para espanto destas pessoas, a resposta é sim. Mas, na verdade, um verdadeiro filho de Deus, que crê verdadeiramente em Jesus como seu Salvador e tem o Espírito Santo nele, jamais faria tais coisas, porque o próprio Espírito instituído por Deus, mostra a seus filhos que algumas atitudes não são de seu agrado e que não o devem fazer. “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm: todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (I Coríntios 10:23); “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (I João 1:5,6 e 7); “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, Conservai-vos a vós mesmos na caridade de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns, que estão duvidosos;” (Judas 20,21 e 22).
         Entretanto, para melhor entendimento da palavra do Senhor, deixo como exemplo duas situações:
1º - Se alguma pessoa andou em trevas durante sua vida, não conhecendo a Jesus Cristo, mas na sua última hora, este, pela misericórdia de Deus, vier a escutar a palavra e crer em Jesus Cristo como seu Salvador, então ele terá a salvação e a vida eterna. “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo; Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1:11,12 e 13)
2º - Porém, se alguma pessoa cometer apenas bondade, ajudando o próximo, dando aos mais necessitados..., mas não aceitar a Jesus como seu salvador ou ao invés de adorá-lo, confiar e adorar ídolos, então esta pessoa estará condenada e eternamente separada de Deus. “Todos os artífices de imagens de escultura são vaidade, e as suas cousas mais desejáveis são de nenhum préstimo; e suas mesmas testemunhas nada vêem nem entendem, para que eles sejam confundidos.” (Isaías 44:9)
         E para concluir esta palavra aqui escrita, digo que, a chance que você tem de vir a crer em Jesus Cristo como seu Salvador só acontece nesta vida, é única,  e é agora, porque após a morte, na carne virá o julgamento e não haverá mais misericórdia, aquele que tiver crido receberá a salvação eterna e aquele que não tiver crido já está condenado às trevas, à separação eterna de Deus. “Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.”; “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus.” (João 3:13 e 18); “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e desprezo eterno.” (Daniel 12:2); “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios;” (I Timóteo 4:1); “Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão.” (II Pedro 3:10); “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” (I João 2:22).


         E rogo  que Deus tenha misericórdia de nós, e que nos instrua em todas as coisas, para que tudo o que façamos seja segundo à sua vontade, para honra e glória do Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Amém.

NFBarros

terça-feira, 1 de julho de 2014

PERSEVERANÇA

OS CONTRASTES NA BÍBLIA E SEUS ENSINOS:PERSEVERANÇA

A INSTRUÇÃO DO ESPÍRITO SANTO AOS SERVOS DO SENHOR

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos. 2 - 42).

As palavras deste versículo acima citado mostram-nos como foi a igreja em seus primeiros dias de vida (cristianismo). Pelo poder do Espírito Santo, Deus tinha obrado maravilhosamente na conversão de milhares de homens, “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas”; (Atos 2 - 41) que tendo recebido pela fé o testemunho do evangelho acerca de Cristo, foram batizados, salvos pela graça divina, e feitos pela mesma graça, Filhos de Deus, e conforme seus propósitos divinos foram agregados à igreja sendo feitos participantes do corpo de Cristo. Sem sombra de dúvida um maravilhoso começo; o passado difícil e triste dos primeiros discípulos, fora liquidado para todo o sempre pela obra redentora de Cristo. E assim naqueles dias, Deus era verdadeiramente louvado, e havia paz e gozo na igreja, na comunhão do Espírito Santo. Mas os discípulos não ficaram sós no bom princípio da igreja, fez-se muito mais, como podemos notar nas palavras do nosso texto que diz: “perseveravam”. No caminho da fé, necessitamos de muita paciência, zelo e constância; portanto temos que perseverar, sempre confiados na misericórdia, na graça e no poder de Deus, e vivermos a obra que nos foi confiada, agindo sempre na total dependência do Espírito Santo, prosseguindo avante como nos aconselham a sua palavra que diz: “Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até o fim, para completa certeza da esperança”; (Hebreus 6 - 11).

Convém notar que esta “perseverança” do nosso texto, diz respeito a quatro pontos base, que são:


1ª.  A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS
2ª.  A COMUNHÃO
3ª.  NO PARTIR DO PÃO
4ª.  NA ORAÇÃO


É bom lembrar, que Cristo é tudo em tudo, Ele é o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega; “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.  (Apocalipse 1 - 8). Vamos ver agora como é isto em relação a cada um dos quatro pontos acima:


A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS: Cristo é o assunto básico, ou o centro da doutrina dos apóstolos.

A COMUNHÃO: Cristo é o centro da comunhão cristã. “Ora vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” (I Corintios 12 - 27). “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Efésios 4 - 4,5 e 6). “Porque somos membros do seu corpo (de Cristo)” (Efésios 5 - 30). “E Ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1 - 18).


 NO PARTIR DO PÃO (Ceia do Senhor): É de Cristo, e, em sua memória, e de tudo quanto nos fez para que fôssemos feitos filhos de Deus, portanto é assim que lembramos ao partirmos o pão na ceia do Senhor, conforme o seu mandamento: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (I Coríntios 11 - 23 aos 26).

NA ORAÇÃO: É em nome, e no nome de Cristo, que tudo fazemos conhecidas as nossas súplicas (petições) diante de Deus nosso Pai. “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (João 14 - 13,14).

Como vemos tudo gira em torno de Jesus Cristo nosso Senhor; mas agora vamos considerar cada um desses quatro pontos resumidamente, e, em separado:

“A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS”:

É certo que, sem aceitarmos a doutrina dos apóstolos, e desejarmos pô-la em prática, nos esforçando para isso como testemunhas reais e verdadeiras de Jesus Cristo nosso Senhor, não podemos gozar as muitas bênçãos para as quais Deus nos chama. Estes ensinos começaram a serem anunciados pelo Senhor, e depois foram confirmados pelos que os ouviram. “Portanto convém-nos atentar com mais diligência para as coisas (ensinos) que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão, e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hebreus 2 - 1, 2 e 3). O Senhor Jesus deu aos apóstolos, toda a autoridade para estabelecerem todo o sistema doutrinário do cristianismo, da igreja, quando disse: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14 - 26). Com estas palavras, o Senhor mostrou a sua autoridade, não só sobre a doutrina dos apóstolos, mas também testificando que ela é obra do Espírito Santo, e tudo mais que provém dos seus ensinos; portanto, a doutrina dos apóstolos, não se trata de obra da sabedoria humana, mas sim do poder e da sabedoria de Deus: o Espírito Santo.

Por isso os apóstolos podiam dizer: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos” (I João 4 - 6). No dia de pentecostes, o apóstolo Pedro, em seu discurso que grande resultado produziu, (ver Atos dos apóstolos no capítulo dois) foi citando alguns pontos que são fundamentais para que possamos entender a doutrina dos apóstolos. Senão vejamos: em primeiro lugar o “DETERMINADO CONSELHO E PRESCIÊNCIA DE DEUS”, notem as palavras que dizem: “determinado conselho e presciência de Deus”, (Atos 2 - 23). Estas palavras nos levam para fora da esfera de nossas responsabilidades, e nos coloca na presença daquele que faz todas as coisas “O Senhor”, segundo o conselho da sua vontade. “Havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1 - 11).


Alguns se recusam a reconhecer o direito que só a Deus pertence de fazer o que lhe apraz, a sua soberana vontade, pois só Ele tem a Sabedoria, o Amor e Justiça, para fazer planos, e, é o único com poder para executá-los. “Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo” (Isaías 44 - 24), “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45 - 7).
Oh! Glória! Quanta alegria, quanto gozo nós sentimos ao descobrir, que a fonte de toda a nossa bênção e de toda a nossa glória futura, provém dos eternos propósitos e perfeito Amor do nosso Deus para conosco. “Louvado seja para todo o sempre o nosso Senhor, Amém”.
           
 Portanto, Cristo não só é o centro de todos os propósitos de Deus, mas é também Àquele em quem, e por meio de quem tudo será realizado. O apóstolo Paulo disse aos anciãos da igreja de Éfeso: “Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20 - 27). E lendo com um pouco mais de atenção a epístola aos Efésios, vemos uma exposição preciosa do maravilhoso conselho e orientação de Deus. Portanto nunca esqueçamos que foi Deus, em seu imenso Amor para conosco, é quem fez tudo para que pudéssemos alcançar a benção, quer pensemos na obra redentora na cruz (salvação Judicial); quer na obra feita pelo Espírito Santo em nós, os salvos em Cristo Jesus (salvação moral, que é o galardão ou a glória que Ele nos deu, e que confirmaremos pela nossa fidelidade aos seus mandamentos), mas em tudo reconhecer que a obra é de Deus, executada pelo seu Santo Espírito. Desde a eternidade, quando o Seu propósito foi formado, e quando o dia dantes determinado chegou, Deus enviou seu Filho, a fim de nos remir, para que, além de nos libertar do poder do pecado (Satanás), receber a adoção de Filhos do Altíssimo. “Mas, vindo à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. (Gálatas 4 - 4 e 5).

É bom notar que: “recebermos a adoção de Filhos do Altíssimo”, não significa sermos adotados por Deus, pois se assim fosse, jamais seríamos verdadeiramente filhos de Deus, pois não teríamos a natureza de Deus, e, só é filho, àquele que tem a mesma natureza do pai; um filho adotado é criado pelos seus pais adotivos como se fosse um filho verdadeiro, com o mesmo amor e cuidado; mas isso não lhe dá a natureza dos pais adotivos; assim como um filho verdadeiro mesmo que ele seja deserdado por seus pais, também não perde a natureza dos pais.


Portanto, quando a palavra de Deus diz que recebemos a adoção de Filhos do Altíssimo, quer dizer no sentido de que fomos escolhidos pessoalmente por Deus para sermos seus Filhos, gerados em Cristo Jesus; que quando deu a sua vida por nós lá cruz do calvário, também nos deu a sua própria natureza, pois deu-nos a sua vida, o seu Espírito e também o seu corpo, pois quando cremos em Deus que deu testemunho a cerca de Jesus Cristo, recebendo Ele como nosso Salvador e Senhor de nossas vidas, somos feitos Filhos do Altíssimo.
 Estando nós mortos em ofensas e pecados, sem Deus e sem esperança no mundo, Ele nos buscou e pelo Seu poder nos salvou, trazendo-nos para Si mesmo. “Louvado seja o nome do Senhor para sempre”.
Foi Ele quem nos deu a benção e a felicidade da nossa redenção, e, é Ele que pelo Seu Poder, pelo seu Amor e pela Sua Sabedoria, há de consumar tudo em nós, como diz a sua palavra: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em nós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”; (Filipenses 1 - 6).
Já falamos um pouco dos propósitos de Deus, e da sua soberana vontade; agora vamos falar sobre o segundo ponto da doutrina dos apóstolos falado no discurso de Pedro, que é sobre a “MORTE DE CRISTO”. Como vimos o “conselho de Deus” é a fonte de toda a nossa benção; veremos agora que a “morte de Cristo” é a base justa sobre a qual Deus efetua a nossa benção. Então vejamos: O pecado pôs uma grande e intransponível barreira entre Deus e os homens, “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”; (Romanos 3 - 23) aparentemente arruinando toda a obra de Deus em relação aos homens; mas Deus, conforme a sua infinita Sabedoria, e segundo os seus propósitos que dantes estabelecera, veio por meio da morte de Cristo, vencer o pecado e anular o seu domínio, libertando assim o homem para sempre do seu estado pecaminoso; mas não é em tão poucas palavras e nem no espaço limitado que aqui dispomos que vamos contar todas as maravilhas e feitos que a morte de Cristo nos proporcionou, apenas vamos citar algumas que o Senhor nos permite.
Pela obra consumada na cruz, Jesus foi inteiramente glorificado, fazendo a obra da nossa redenção; tendo aberto o caminho para a realização dos propósitos divinos, em conformidade com a Sua absoluta Justiça, Amor, Sabedoria e santidade, Deus foi ali revelado, sendo um Deus Justo e Salvador, o pecado foi expiado, o nosso homem velho foi com Cristo crucificado. “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado”. (Romanos 6 - 6). E assim podemos dizer: “que nos reconciliou no corpo da sua carne pela morte”. “A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo vos reconciliou. No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, irrepreensíveis, e inculpáveis” (Colossenses 1 - 21 e 22).

  
A morte de Cristo nos mostra duas coisas muito importantes:

A primeira: ela é a expressão da Justiça, do Amor e da Sabedoria de Deus.
A Segunda: É também a ruína e a condenação do homem segundo a carne.

Aprendendo assim o significado da morte de Cristo, podemos nos servir do enigma de Sansão: “Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte” (Juízes 14 - 14). Ou seja: pela morte de Cristo alcançamos a vida eterna, e, é exatamente a sua morte que nos dá a glória (sermos herdeiros de Deus), que excede tudo pela sua doçura: “o Amor do Pai”.
Vamos considerar agora o terceiro ponto do discurso do apóstolo Pedro: “A RESSURREIÇÃO DE CRISTO”. A obra redentora de Cristo (sua morte na cruz) é o único meio que se nos apresenta como base justa sobre a qual Deus abençoa o homem, salvando-o, e lhe fazendo seu Filho; mas a sua ressurreição introduz o crente no poder de uma nova vida, aonde nem o pecado, nem a morte jamais podem entrar. Cristo ressuscitado é o começo de tudo novo, de uma nova esfera. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Corintios 5 - 17). Pois Ele ressuscitou para nossa justificação, sendo, portanto em Cristo que somos justificados diante de Deus. “Mas Deus o ressuscitou dos mortos”. “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados por ele é justificado todo aquele que crê”. (Atos 13 - 30 e 39). É em Cristo ressuscitado que somos novas criaturas pela fé, “aquele que crê”. É em Cristo ressuscitado que somos feitos agradáveis a Deus.  “Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no amado”. (Efésios 1 - 6). É em Cristo ressuscitado que somos abençoados com todas as bênçãos espirituais.  “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”; (Efésios 1 - 3). Em resumo, a ressurreição de Cristo é a verdadeira esfera da nossa bênção. Por isso irmãos, para gozarmos de todas as bênçãos espirituais que no presente momento nos pertencem sós as teremos na medida que apreciamos a nossa identificação com Cristo na sua ressurreição.

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. (Colossenses 3 - 1,2 e 3).

 Vejamos agora, o quarto ponto do discurso do apóstolo Pedro: “O DOM DO ESPÍRITO SANTO”. Já foi dito que, é em Cristo ressuscitado que alcançamos toda a bênção de Deus. Mas agora vamos ver e esclarecer, como é que podemos gozar essas bênçãos.
O Espírito Santo é o único poder que nos foi dado, para gozarmos e participarmos das bênçãos de Deus. Ele é dado a todos os que creem em Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador, e pela fé, lhe obedecem e se sujeitam a Ele.
“E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não Ter sido glorificado” (S. João 7 - 39).  “E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (Atos 5 - 32).
O perdão dos pecados e o Dom do Espírito Santo foram as duas coisas apresentadas por Pedro em sua pregação, em resposta ao pedido da multidão arrependida. “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo”; (Atos 2 - 38).
O Espírito Santo é o que faz com que o poder da nova vida (de Cristo) se manifeste em nós; é Ele também que atualmente nos liga com a glória celestial; tudo quanto somos para Deus, o é pelo poder do Espírito Santo que se manifesta em nós. Portanto, “começamos pelo Espírito Santo” (Gálatas 3 - 3), “vivemos pelo Espírito Santo, e andamos pelo Espírito Santo” (Gálatas 5 - 25).

 Tudo quanto Deus aprecia em nós, é fruto do Espírito Santo; é a vida (ação) de Cristo refletida no crente. Só entenderemos as coisas de Deus, se nos for revelado pelo Espírito Santo; toda a nossa participação na obra de Cristo aqui na terra, só será feita, se o Espírito Santo a fizer. E foi também o Espírito Santo que nos fez cientes da nossa filiação “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos Filhos de Deus”. (Romanos 8 - 16), desde o nosso novo nascimento, do nosso novo parentesco com Deus, e, é exatamente essa revelação feita em nós, dando-nos o conhecimento da nossa filiação divina, que nos dá o direito de assim como Jesus fez aqui na terra, quando disse: “ABA PAI”, de também oferecermos a Deus nosso Pai, a verdadeira adoração, e também desde já aqui na terra, dizer-lhe: “ABA PAI” (que quer dizer: nosso Pai). Portanto, é pelo Espírito Santo, que damos a Deus, o culto que só a Ele pertence; a nossa adoração em espírito e em verdade, a adoração que nós os filhos de Deus ofertamos na santa ceia. “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (S. João 4 - 23 e 24).
Há ainda mais um ponto importante que nos chama a atenção no discurso de Pedro no dia de pentecostes, que é a RESPONSABILIDADE DOS HOMENS DIANTE DE DEUS.
Ao mesmo tempo em que com gratidão, gozamos das verdades no que diz respeito a “soberana vontade e conselho de Deus”, e em todos os benefícios que gozamos pela morte e ressurreição de Cristo, não devemos esquecer da grande e solene responsabilidade que os verdadeiros crentes têm na obra da formação da grande família de Deus. Pedro acusou Israel da sua responsabilidade na morte de Cristo, o escolhido de Deus, quando claramente lhes disse: “tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Atos 2 - 23). Mostrou-lhes que estavam em oposição a Deus; Àquele que Deus enviou ao mundo, tinha sido por eles rejeitado e morto, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e o fez Senhor, e Cristo. O apóstolo os exortou para que se arrependessem, mostrando-lhes que Aquele que eles tinham crucificado, era o Cristo, Aquele por quem o homem pode receber a maior bênção já oferecida por Deus aos homens; o perdão dos seus pecados, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Eles escutaram e deram crédito à palavra de Deus, e em seus corações creram e arrependeram-se, e pela obediência da fé, entraram no gozo da bênção dada pôr Deus.

Devemos louvar a Deus, pela maneira que segundo a “sua soberana vontade e determinado conselho”, tem manifestado a nós pecadores, toda a força de seu imenso Amor, que nos deu uma salvação absoluta e perfeita e eterna por Jesus Cristo nosso Senhor. Porém, quem poderá descrever a terrível responsabilidade daqueles que rejeitarem a graça de Deus, manifestada pelo poder do Espírito Santo acerca de Cristo, e sua obra de redenção do Amor Divino? “Arrependei-vos” disse Jesus, “e crede no evangelho”. (Marcos 1 - 15).

 Resumindo os quatro pontos fundamentais da doutrina dos apóstolos, que estamos a considerar, temos:
1º. O SOBERANO CONSELHO DE DEUS: que é a fonte de toda a nossa bênção.
2º. A MORTE DE CRISTO: que é a base justa sobre a qual Deus nos abençoa.
3º. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO: que nos revela o triunfo de Jesus Cristo, e nos introduz no terreno da ressurreição, a verdadeira esfera da nossa bênção.
4º. O DOM DO ESPÍRITO SANTO: que é o meio pelo qual recebemos o poder para gozarmos as bênçãos de Deus, sendo testemunhas de Cristo e participantes de suas aflições na formação da grande família de Deus, para o que fomos chamados.
“Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” (Filipenses 1 - 29).
Meus irmãos, se aceitarmos a doutrina dos apóstolos, e nos deixar dominar por ela, e nela andarmos e permanecermos; Deus é glorificado em nós, e estaremos alicerçados n’Ele. Honramos ao nosso Deus.
“A COMUNHÃO”:
Se na verdade aceitamos e estamos pondo em prática a doutrina dos apóstolos, podemos dizer que: estamos vivendo em plena comunhão dos apóstolos, que é a verdadeira comunhão cristã.
Para melhor compreendermos o sentido, e o que significa a palavra “comunhão”, vejamos o que nos diz o apóstolo Paulo: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor”. (I Corintios 1 - 9).
 Notar que a escritura aqui, não fala da comunhão com Jesus, que é aqueles momentos em que extasiados e felizes, escutamos a sua voz, enquanto Ele nos fala do Amor e da vontade do Pai, e sentimo-nos comovidos pelo seu Amor; isto tudo é um privilégio que nos pertence, pois somos “os amados do Senhor”; Porém a escritura citada fala-nos da comunhão do seu Filho. Senão vejamos: tendo aceitado a doutrina dos apóstolos, da qual Cristo é o assunto principal, temos que estar unidos uns aos outros em uma comunhão da qual Cristo é o centro. Ele é que nos une, por isso participamos igualmente dos privilégios, e das responsabilidades dessa comunhão. Não devemos agir levianamente em tudo isto, porque foi para sermos “um como Deus e Cristo o são”, é que fomos chamados; Deus deseja que cada crente saiba qual é o seu lugar de privilégio na sua grande família, que em figura é o corpo místico de Cristo. Que sendo ligado pelo Espírito Santo a Cristo, formamos o seu corpo, com todo o vasto número dos remidos, e que assim reconhecemos a nossa relação com todos os que são seus; convém considerar que esta comunhão apostólica é a verdadeira comunhão cristã. Pois ela sempre toma o caráter d’Aquele que é o centro: CRISTO.
Vamos tecer alguns comentários sobre Aquele com quem Deus nos uniu nesta Santa Comunhão:
Primeiro título: FILHO DE DEUS. Este título (nome), já nos diz da glória de sua pessoa; vemos quem Ele é. No seu nascimento, no seu batismo, na sua transfiguração sobre o monte, e pela sua ressurreição foi declarados vencedor, e ser também o Filho de Deus. Portanto, precisamos manter sempre tudo o que lhe é devido, sendo Ele o Filho de Deus. Porque se deixarmos de reconhecer a glória de sua pessoa, a nossa comunhão não seria a “comunhão do Filho de Deus”, não sendo neste caso, a verdadeira comunhão cristã.

Segundo título: O HOMEM PERFEITO. Eis o nome, que é maior que outro qualquer. Um homem entre os homens. Aquele que era perfeito em bondade e em santidade, que não conheceu pecado, e que não cometeu pecado, em quem não há pecado. Devemos tomar cuidado com qualquer pensamento ou doutrina que de qualquer maneira venha a por em duvida a perfeição de Cristo como homem, como Filho de Deus e como Deus.

Terceiro título: CRISTO. Este título (nome) é por assim dizer; a sua apresentação oficial. Cristo é o escolhido de Deus, o seu enviado, é o cordeiro de Deus, a vitima perfeita para o sacrifício, é o ungido de Deus, é o vencedor da morte, e agora ressuscitado, é exaltado na glória de Deus, é a fonte da vida e de bênção para todo aquele que n’Ele crê, é a cabeça do corpo da igreja, é Aquele em quem vivemos para Deus.
Quarto título: NOSSO SENHOR. Este título (nome) já diz tudo por si só; tudo acerca de quem pertencem todas as coisas, pois faz pensar no poder e na suprema autoridade de Jesus Cristo nosso Senhor; faz lembrarmos da batalha que houve, e da vitória certa, da salvação e proteção que gozam todos aqueles que se põem debaixo de seu domínio, e da libertação que Ele nos deu do poder de Satanás e deste presente século mau, do temor da morte. Na verdade, Deus O tem feito Senhor de todos, mas para nós os crentes, o nosso privilégio é de reconhecê-lo como nosso Senhor e Salvador (Protetor). Por isso, nas coisas espirituais, devemos ser dominados pelo Senhor, por sua autoridade, e nunca pelos interesses do homem (carne) em suas concupiscências. Chamados por Deus para esta Santa Comunhão; vamos procurar em tudo andar nela sempre sujeito ao nosso Senhor, mantendo pela sua imensa graça, as verdades que nos são reveladas pelo Espírito Santo em relação com o seu nome, a saber:                         
·         A sua glória como Filho de Deus, a sua perfeita e santa condição quando se fez homem.
·         A sua morte expiatória.
·         O seu lugar que ocupa como a cabeça da igreja.
·         A sua autoridade como Senhor.
Que o Senhor possa dizer naquele dia acerca de cada um de nós os crentes em Cristo: “guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome” (Apocalipse 3 - 8).

O PARTIR DO PÃO (ceia do Senhor):

Pela sincera aceitação da doutrina dos apóstolos, descobrimos o nosso lugar na comunhão da igreja, na sua glória, assim como na sua responsabilidade aqui no mundo, na formação e edificação da grande família dos Filhos de Deus; enfim descobrimos a verdadeira comunhão cristã; mas agora podemos dizer que no “partir do pão” é que temos a expressão visível e máxima dessa comunhão, pois pelo ato do “partir do pão” confessamos que temos comunhão com Deus e uns com os outros: “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão” (I Corintios 10 - 17).


 A “ceia do Senhor”, foi instituída pelo próprio Senhor na noite em que foi traído, e, é para nós a igreja, um mandamento para que nos ajuntemos para lembrarmos d’Ele, e de tudo quanto nos fez por sua obra redentora lá na cruz do calvário, assim como o seu grande Amor determinou. É uma festa de lembrança, e comemoramos o fato de nos alimentarmos de Cristo na sua morte; o seu corpo foi dado, e o seu sangue foi derramado por nós, e assim espiritualmente comemos a sua carne e bebemos o seu sangue.
 “Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta, também viverá por mim”  (S.João 6 - 55, 56 e 57). É claro que só são chamados para esta festa de amor, aqueles que verdadeiramente são de Cristo; o descrente ou incrédulo nada tem a ver com ela. Vamos considerar um pouco a significação dos símbolos, isto é: o “pão” e o “cálice”. Lemos que: o Senhor “na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (I Corintios 11 - 23, 24, 25 e 26). O pensamento principal que nos vem quando olhamos para os emblemas, o pão e o vinho, é o da morte de Cristo nosso Senhor; contudo, há um significado muito importante para nós, o que cada um deles representa. Senão vejamos: O PÃO significa seu corpo que é dado por nós, isto quer dizer, que pelo corpo de sua carne, pela morte, nos reconciliou com Deus; A sua morte foi o julgamento, “o fim”, diante de Deus (Justiça), até onde nos diz respeito, de tudo o que é do pecado, e da carne, e do homem velho, que foi com Ele (Cristo) crucificado. E o melhor de tudo isto, é que quando partimos o pão e dele tomamos, diz-se com este ato, que estamos tomando posse do nosso corpo divino, semelhante ao do Senhor (com a mesma natureza); que Ele nos deu por sua morte por nós, sendo este o corpo que teremos para toda a eternidade quando do arrebatamento da igreja. “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Corintios 15 - 51 e 52).
Portanto o pão é o símbolo da redenção do nosso corpo (onde se completa a nossa redenção). “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rom. 8 - 22 e 23).


No cálice, temos a afirmativa de como a morte de Cristo é a base de tudo, segundo Deus, “é o cálice do Novo Testamento” (novo pacto); a morte de Cristo, não só tirou o nosso pecado, mas construiu os alicerces (planos) sobre os quais se há de edificar a vida futura (o eterno bem). Portanto o cálice (vinho) é a figura da vida de Cristo dada a nós os Filhos de Deus no seu sangue derramado lá na cruz. À medida que vamos compreendendo a nossa ligação com Cristo, e experimentando o gozo de estarmos em plena comunhão com Ele, sentimos que Ele nos conduz em tudo aquilo em que o Pai se deleita. Assim a morte que em si amedronta o ser humano, torna-se para os crentes verdadeiros, naquilo que aprendemos: a nossa libertação, e a grandeza do Amor Divino. Como é maravilhoso, quando nos achamos reunidos para a “ceia do Senhor” (o partir do pão, como é chamado nas escrituras), e podemos olhar para nossos irmãos, e saber que tudo que é contrário a Deus, tudo que Ele abomina, foi tirado da Sua santa Presença, e cravado na cruz de Cristo em sua morte; vemos o fim do que é velho, do que é pecado. Mas em Cristo ressuscitado o principio do que é novo e eterno, e então podermos juntos, ofertar-lhe a verdadeira adoração, a adoração dos Filhos, que o adoram em espírito e em verdade; o louvor que só ao Seu Grande e Maravilhoso nome é devido, o nome do Pai, o nosso Pai.
 Louvado e engrandecido seja para sempre o nosso Grande e Maravilhoso Deus.

 Se nós procurássemos andar sempre de acordo com esta verdade; que bom seria; porque, então gozaríamos a verdadeira comunhão com o nosso Senhor e uns com os outros.

O Senhor disse: “Quem vencer, herdará todas as coisas” (Apocalipse 21 - 7). “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (S.João 15 - 14), e está à espera de uma resposta da nossa parte, para nos dar a glória pela nossa participação no vitupério de Cristo. “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele”. (Filipenses 1 - 29). “Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo: para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da Glória de Deus” (I Pedro 4 - 13 e 14). “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos, se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel: não pode negar-se a si mesmo” (II Timóteo 2 - 11, 12 e 13). Portanto: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Timóteo 2-15), e então será participante de toda a bênção que o nosso Deus tem para te dar, e quer te dar, para que você possa prestar-lhe a verdadeira adoração, cheio de glória, poder, honra, majestade, domínio e grandeza para lhe ofertar naquele grandioso dia. O tempo esta passando: é só até que Ele venha, e nos avisou e disse: certamente cedo venho; vamos responder ao desejo do nosso amado Senhor, e andarmos na comunhão da sua morte, e nela permanecermos, fazendo a sua obra; “Ora vem Senhor Jesus”. Amém!


A ORAÇÃO:

Chegamos agora ao último ponto, e podemos dizer com toda a certeza, que se não permanecermos em oração, fazendo em tudo conhecidas diante de Deus as nossas súplicas (petições), estando sempre em um espírito de total dependência do Senhor; não podemos crescer no conhecimento da “doutrina dos apóstolos”; não poderemos experimentar o gozo, nem corresponder as “responsabilidadesque cabem a cada um de nós particularmente na “obra do Senhor”, como chamados que fomos para andarmos na “comunhão cristã”, e para apreciarmos o nosso privilégio no “partir do Pão” e na “adoração”. Estas bênçãos estão ligadas umas as outras, portanto, necessitamos da fé e do Espírito Santo, para permanecermos firmes e perseverantes na DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, NA COMUNHÃO, NO PARTIR DO PÃO E NAS ORAÇÕES; como nos exorta a palavra quando diz: “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5 - 17), e diz mais a sua palavra: “E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos; porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista”  (I S. João 3 - 22). E ainda o Espírito Santo pelo ministério de Paulo nos diz: “Orando em todo o tempo com toda oração e suplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6 - 18).
A oração é o elo que liga o crente ao Senhor que lhe dá força e proteção; é ela que completa a armadura do crente, (a sétima arma que o Espírito Santo manda que os crentes revistam para poderem resistir no dia mau. Ver Efésios capítulo 6 do versículo 10 aos 18), a oração é que lhe dá a vitória em Cristo Jesus. A oração é a nossa confissão pública de total dependência de Deus, e de nossa incapacidade, mas também é a prova da nossa fé (confiança) n’Ele.
Ninguém presuma de si mesmo; na carta de Judas lemos que o Arcanjo Miguel, não ousou repreender a Satanás, e nós Filhos de Deus, sabemos que é exatamente contra esse adversário que temos de lutar. Portanto, devemos nos guardar de toda a leviandade, e de todo os espíritos profanos, permanecendo firme em Cristo, e afirma tudo o que possui n’Aquele que o abençoou com todas as bênçãos. Assim conhecerá o crente o verdadeiro poder que a oração traz em todo o tempo; e praticada de todas as maneiras, de pé, andando, a oração em nosso espírito (só em pensamento), enfim de todas as formas, e aprenderá que a oração é a expressão máxima da íntima comunhão que o crente (igreja) tem com o Senhor. Não podemos esquecer que estamos sempre num campo de batalha; muito embora não usemos as armas da carne, mas as armas do Espírito; por isso diz: “com toda a oração e suplica”, à medida que se desenrola essa batalha, Deus, embora conhecendo todas as nossas necessidades, faz questão de que elas sejam em tudo conhecidas diante d’Ele, para que fiquem em testemunho diante de toda a criação, porque Ele é Justo e Fiel. Assim, não só somos exortados ao combate, mas também somos instruídos no Espírito, para nessa guerra, sermos mais do que vencedores por Aquele que nos ama, pois jamais nos abandona. Acabamos de mostrar, ainda que de uma maneira simples, o quadro do campo de batalha, e com quem nós temos que lutar; que todos os que receberam essa instrução, aceitem com plena convicção essas verdades, como está em Jesus; e que sigam o exemplo de Paulo, que mesmo depois de ter escrito aquela carta aos Efésios, e de Ter dito tantas maravilhas de Deus àqueles irmãos, faz humildemente um pedido de oração, quando disse: “E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar”. (Efésios 6-19 e 20).
O apóstolo Paulo, que nunca havia pedido nada para si, solicita dos irmãos de Éfeso, suas orações, afim de que possa fazer o mundo conhecer, com liberdade e audácia, o evangelho da salvação de Deus que está em Cristo Jesus. Que o exemplo do apóstolo nos sirva de ânimo, pois como podemos ver: este servo de Cristo, nunca parou, nem se calou e nunca se deu por satisfeito enquanto houvessem almas a serem salvas ele lutou contra tudo e contra todos os que se opôs à sã doutrina, que recebera como mandamento do Senhor para que fosse propagado em todo o mundo, ele lutou para a honra e glória do seu Senhor e Salvador Jesus Cristo, confiado única e exclusivamente n’Ele, que é fiel e poderoso para o firmar, assim como também a nós, se tão somente fizermos como fez o apóstolo, não tendo a nossa vida por preciosa, mas nos entregando inteiramente ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo para sermos também para a sua honra e glória.
Agora podemos entender o porque que o Espírito Santo nos exorta a perseverarmos, como nos diz o nosso texto: “E PERSEVERAVAM NA DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, E NA COMUNHÃO, E NO PARTIR DO PÃO, E NAS ORAÇÕES”. (Atos 2 - 42).

Louvado seja para todo sempre o nosso Deus em nome de Jesus Cristo nosso Senhor.  AMÉM!

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