O SACERDÓCIO DAS MULHERES CRISTÃS
1. O USO DO VÉU2. LIMITES
INTRODUÇÃO
O sacerdócio das mulheres cristãs na Igreja tem sido um assunto polêmico através dos séculos, com posições das congregações que vão desde a proibição pura e simples para qualquer tipo de manifestação até a ampla e irrestrita participação em todas as atividades.
Na verdade, as posições extremas e irrestritas, contra ou a favor, não são as corretas, porque é inegável que as mulheres têm participação, sim, na obra de Cristo, mas há limites claramente definidos e ordenados, como em tudo que ocorre dentro da Igreja.
Entre os condicionantes, um que causa disputa é o uso do véu, assunto confuso para muita gente, que não sabe se é apenas tradição e costume antigo ou exigência na Igreja e se pode ou não ser substituído pelo cabelo comprido. E como definir mulher com cabelo comprido ou tosquiado?
E quais são os limites do sacerdócio da mulher? O que ela pode e o que não pode fazer? As respostas a essas perguntas só podem ser encontradas na Bíblia.
1. O USO DO VÉU
(1º Cor 11.2-16)
“Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”. (Iº Co. 11. 5, 6).
“Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?” (Iº Co. 11. 13).
Na verdade, as posições extremas e irrestritas, contra ou a favor, não são as corretas, porque é inegável que as mulheres têm participação, sim, na obra de Cristo, mas há limites claramente definidos e ordenados, como em tudo que ocorre dentro da Igreja.
Entre os condicionantes, um que causa disputa é o uso do véu, assunto confuso para muita gente, que não sabe se é apenas tradição e costume antigo ou exigência na Igreja e se pode ou não ser substituído pelo cabelo comprido. E como definir mulher com cabelo comprido ou tosquiado?
E quais são os limites do sacerdócio da mulher? O que ela pode e o que não pode fazer? As respostas a essas perguntas só podem ser encontradas na Bíblia.
1. O USO DO VÉU
(1º Cor 11.2-16)
“Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”. (Iº Co. 11. 5, 6).
“Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?” (Iº Co. 11. 13).
“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu”. (Iº Co. 11. 15).
Este texto de 1º Cor. 11.2-16 contém um aparente contraste: em dois lugares, determina-se a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres e, em outro, diz-se que o cabelo nas mulheres lhes foi dado em lugar de véu. O que deve ser feito para sanarmos essa dúvida e como se explica essa aparente contradição?
Os membros do corpo de Cristo são todos varões, sendo varão uma referência ao homem espiritual porque, em Cristo, não há macho nem fêmea (Gal 3.28). Nós não somos membros do corpo de Cristo pela carne, mas pelo espírito, mostrando que a diferença macho/fêmea, que é da carne, não existe Nele. Como a fêmea foi criada da carne do macho (Gn. 2.21-23), anulando-se o macho, desaparece a fêmea.
Mas como fazemos a nossa obra de servos nesse corpo de carne, usado por nosso homem interior (espiritual), o Senhor determinou o uso do véu pelas mulheres, pois, na organização divina, não há sacerdotisa e elas, sendo filhos, não podem ser impedidas de agirem como sacerdotes, como está escrito para todos os cristãos: “E nos fez reis e sacerdotes, para Deus e seu Pai” (Apoc. 1.6), “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1º Pe. 2.9). Portanto, ninguém pode exercer o sacerdócio divino como mulher-fêmea.
O véu, na Bíblia, é símbolo de lei, de sujeição ao poder, dando a entender que algo ou alguém está sujeito a um poder maior e, como exemplo, podemos citar Rebeca que, ao ver seu futuro marido Isaac, cobriu a cabeça, aceitando-o como seu senhor, tornando-se serva dele, figura de Cristo e da Igreja (Gn. 24.65). Na Bíblia, quanto ao serviço, existe uma sequência: Deus não é servo de ninguém e está sobre todos; Cristo, só é servo de Deus; o homem, no seu corpo de macho, é servo de Cristo e a mulher, como fêmea, é serva do homem (Ef. 5.22-29), que é também a mesma ordem de comando: Deus, cabeça de Cristo; Cristo, cabeça do homem-macho e o homem-macho, cabeça da mulher-fêmea (1º Co. 7.3). Para que essa última dependência, macho/fêmea, desapareça, espiritualmente, a mulher coloca o véu e, sendo este a figura da lei de Cristo, fica sujeita ao Senhor, tornando-se varão, servo de Cristo como qualquer homem. Essa relação Cristo, a cabeça e varões - o corpo - é que forma a Igreja. Nessa condição, há liberdade e igualdade espiritual, pois nós todos, como sacerdotes, só devemos obediência ao Sumo-Sacerdote, que é nosso Senhor Jesus Cristo.
Em Israel, segundo se deduz da afirmação de Paulo, a mulher podia rapar o cabelo ou tosquiar-se, assumindo, dessa forma, que era livre do domínio de homem (pai ou marido) e essa era a condição das prostitutas públicas. Por isso o texto diz que “... rapar-se ou tosquiar-se é indecente...”, porque essa era uma liberdade degradante. Portanto, foi dado outro sinal da liberdade da mulher na obra de servo de Cristo: “ponha o véu” (1º Co. 11.6).
Uma mulher verdadeiramente honesta jamais se tosquiaria ou raparia a cabeça em Israel, porque era um símbolo desonroso. A lei de Moisés criou uma estrutura social baseada no sexo e na idade: o homem adulto e os anciãos estavam no topo, com o mando social e a representação sacerdotal, depois vinham os jovens machos e, por fim, as mulheres, consideradas inferiores e dependentes. Com a lei de Cristo foi rompida essa hierarquia social e era necessário um sinal, visível para todas as criaturas, dessa mudança. Além disso, para os Anjos, que sempre serviram ao Senhor fielmente dentro da casa de Israel e conhecem a Lei de Deus dada a Moisés e que não sabem a verdadeira condição da mulher crente em Cristo, as mulheres continuam sendo inferiores e, por isso, “a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos”. (Iº Cor. 11.10) e esse sinal de poderio é o véu, entendido por todas as criaturas como a mulher sujeita a uma nova lei, a de Cristo. Dessa forma, em figura confirmada por suas ações, a mulher-fêmea revela o homem encoberto no seu coração (1º Pe 3.4). Nessa condição, com a cabeça coberta, ela pode orar ou profetizar, diante de Deus, da Igreja e dos Anjos, revelando o filho do Altíssimo que está dentro dela, como um servo cumprindo o papel para o qual foi eleito e vocacionado.
Quando Deus quis mostrar até que ponto havia chegado a decadência de Israel disse: “... mulheres estão à testa do seu governo. Ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Is. 3. 12). Essa afirmação mostra qual a visão que as criaturas divinas, debaixo da lei, tinham das mulheres, além de que os anjos também quiseram propagar o evangelho de Cristo e não foi permitido, como na conversão de Cornélio (At. 10.3-6; 1º Pe 1.12), ficando difícil de entender, para eles, como se permitia a alguém inferior (segundo o conhecimento deles) fazê-lo. O véu veio sanar essa dificuldade, mostrando-lhes que os homens (machos e fêmeas) trabalhavam como servos de Cristo, sob uma nova lei. O evangelho de Jesus Cristo, que é a salvação judicial de todo o que crê, só pode ser anunciado por filhos-servos de Deus, nunca por criaturas, seja macho, fêmea ou anjo.
Quando a mulher crente está reunida com outros irmãos (homens crentes), formando dessa maneira o corpo de Cristo, precisa usar o véu, para ser tão livre como eles, servindo ao Senhor com liberdade e igualdade espiritual. Quando está só, tendo o cabelo crescido, este atua como véu, para os estranhos à congregação, porque “ ... o cabelo crescido, lhe é honroso, e lhe foi dado em lugar de véu”. (1º Co. 11.13). Assim, o véu, na reunião dos crentes, anula o sexo e a dependência macho/fêmea e a mulher-fêmea é um irmão entre os irmãos e, na sua vida normal no mundo, o cabelo comprido substitui o véu. Para os homens é exatamente o contrário, a cabeça coberta por cabelos compridos lhes desonra, porque é como se estivessem sob a dependência de outro macho. Com essa ordenação, a igualdade fica garantida e entende-se que “Deus não faz acepção de pessoas” (At. 10.34), aceitando o serviço de todos os seus servos.
2. Limites do sacerdócio das mulheres nas congregações
Que às mulheres cristãs está garantido o direito sacerdotal, viu-se atrás. Entretanto, estabelecer o limite da ação sacerdotal da mulher, nas congregações, tem sido um problema não resolvido desde o início da Igreja. É fácil entender que, como a Igreja se originou dentro da nação judaica, houve muita resistência da sociedade patriarcal masculina a essa mudança radical de costumes que implicava a lei de Cristo, transformando todos os cristãos, homens e mulheres, em sacerdotes, segundo uma nova ordem: a de Melquisedec, tendo sido abolida a ordem levítica (Hb. 5.6,10;6.20;7.11,16;8.6,7; 1º Pe 2.9; Ap. 1.6). Aliás, a resistência à mudança de costumes e serviços ocorreu em todos os sentidos, mas a questão das mulheres se acomodou, agradando ao domínio machista da sociedade humana.
Textos bíblicos são usados tanto pelos que defendem a restrição total como pelos que propagam a abertura total do serviço às mulheres.
Os que restringem, usam: “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja”. (Iº Co. 14. 34, 35);
“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito porem, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (Iº Tim. 2. 12,13). E os que liberam, contra-atacam: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (At. 2.17); “E tinha este (Felipe) quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At. 21. 9).
Aparentemente, são textos contradiz entes, mas, se situados corretamente, veremos que não há contradição alguma neles.
No Velho Testamento, Joel profetizou (Jl. 2.28) a efusão do Espírito Santo sobre a Igreja, como avisou Cristo (At. 1.5) e como ocorreu no dia de Pentecostes (At. 2.1-21). Evidentemente, a efusão do Espírito foi sobre todos os cristãos – homens e mulheres; jovens e velhos -, mesmo porque a Bíblia diz que quem não tem o Espírito de Cristo não é Dele (Rm 8.9), sendo a presença dele em nós, a confirmação da nossa salvação e filiação divina, de maneira irreversível (2º Co. 1.22; Ef. 1.13). O sinal característico da presença do Espírito Santo em nós é que profetizaremos e teremos visões e sonhos.
O que significa profetizar, ter visões e sonhos?
“ Profetizar”, etimologicamente significa “falar antes” e é, caracteristicamente, o que fez Joel anunciando a efusão do Espírito Santo mais de seiscentos anos antes do acontecimento. Todos os profetas da Bíblia agiram assim e todas as profecias que eram mister serem anunciadas aos homens já o foram, desde Gênesis até Apocalipse. Quanto à forma de anuncia-las, todos os profetas falaram publicamente, e escreveram, para que ficasse em testemunho do aviso de Deus até a data da sua ocorrência, a fim de que nenhum homem pudesse negar a misericórdia do Senhor, avisando-o dos fatos, antes que acontecessem. Assim podemos afirmar, resumindo, que: “ profeta é aquele que anuncia, pública e antecipadamente, o que Deus fará aos homens”. Profeta é o agente, profetizar é a ação e profecia, o objeto da ação.
No tempo presente, “profetizar”, segundo se depreende de 1º Co. 14.3, tem mais um significado – o de edificação, exortação e consolação, sendo sinal para os fiéis (1º Co. 14.22) e todos os crentes, homens e mulheres, podem fazê-lo. Nós vemos que as filhas solteiras de Filipe eram profetizas e que cumpriam o seu ministério, o que evidentemente significa que expunham a palavra em público, dentro da Igreja.
Mas a Bíblia não diz que profetizar, como edificar, exortar e consolar, é o único dom dos crentes, embora este seja indicado como um dom de todos. Está escrito que Cristo “... mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef. 4.11), indicando a diversidade de dons dentro da Igreja e que cada um destes dons exige uma qualificação diferenciada. Em 1º Co. capítulos 12 a 14, o apóstolo Paulo fala de diversos dons e da necessidade de ordem dentro das reuniões dos cristãos e é, nesse contexto, que ocorre a famosa proibição: “as mulheres estejam caladas nas igrejas”, logo após a afirmação que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”
Se todos podem dizer aos outro o que Cristo fez por nós, dando testemunho pessoal, edificando-nos, consolando-nos e exortando-nos uns aos outros, todos não deveremos ser usados naquelas funções para as quais Cristo tem qualificado alguns em particular, conforme a lista acima, que trata de dons específicos. E nessa qualificação, nosso Senhor leva em consideração algumas condições que Ele mesmo estabelece. Por exemplo, determina que a congregação seja governada e ensinada por “presbíteros” (anciãos, bispos - At. 14.23; 1º Tm. 5.17; Tt. 1.5) dos quais se exigem certas qualidades humanas e espirituais, sendo, necessariamente, homens casados com uma só mulher, experientes e de longa trajetória na Igreja (1º Tm. 3.2-7; Tt. 1.6-9). Não há nenhum homem que possa ter todas as qualidades do presbítero; por isso, a Igreja é governada por um presbitério, onde diversos homens maduros se completam e preenchem as qualidades exigidas por Cristo, reconhecidas neles pelos crentes. Evidentemente, quase todos os homens adultos, todos os jovens e todas as mulheres estão excluídos dessa função.
Assim como para o presbitério, usado acima como exemplo, em todos os outros dons específicos há condições específicas. Algumas atividades são comuns a todos os crentes, outras são para os homens e outras, para as mulheres. A Bíblia e o bom senso, assistidos pelo Espírito, indicam o que se deve fazer. Paulo, por exemplo, cita as mulheres que trabalharam com ele e Clemente no evangelho, como cooperadoras (Fp. 4.3), mostrando que a evangelização é comum a todos os crentes. Febe é citada como irmã que serve na igreja de Cencréia, e é quem, provavelmente, levou a carta de Paulo aos Romanos (Rm. 16.1). Essas mulheres, como cooperadoras, eram evangelistas e diaconisas.
Voltando a 1º Co. 14:34,35, observamos que, à essa proibição de falar, feita às mulheres, antecede-se a afirmação de que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”, mostrando que as mulheres foram proibidas de falar numa reunião sem paz, com muita encrenca e confusão. Que reunião seria essa? Temos uma pista em At. 15. No primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém houve grande contenda entre apóstolos, anciãos e irmãos. E podemos ver nas cartas de João que, muitos anos depois, ainda havia contenda entre dirigentes (3º Jo. 9,10). Há outros exemplos no Novo Testamento (At. 15.36-41; Gl. 2.11-13) e as reuniões de dirigentes costumam ser, até hoje, conturbadas. Logo, o que houve em Corinto foi que as mulheres se meteram em questões do presbitério, falando e envolvendo-se com assuntos que não eram delas, como governo e ensino, inclusive desrespeitando maridos presbíteros. Por isso, a proibição está restrita às mulheres casadas, ao ensino e ao respeito aos maridos presbíteros, que tinham condição de ensiná-las em casa e não podiam ser desqualificados publicamente por suas esposas. Se um presbítero não é capaz de se impor à sua mulher, governando a sua casa (uma das condições de 1º Tm. e Tito), como vai ser capaz de se impor na Igreja?
Vemos, pelo explanado, que não há proibição para o trabalho da mulher nas igrejas e nem para o trabalho de qualquer irmão. Apenas devem ser respeitados os limites de cada trabalho e tudo feito decentemente, com ordem (1º Co. 14.40). Sempre há um risco muito grande de erro, quando se interpreta um texto fora do seu contexto, criando pretexto para qualquer tipo de ideia. Isso tem sido feito com 1º Co. 14.34,35 que tem sido generalizado para justificar qualquer proibição às mulheres.
Há ainda, um aspecto que não pode ser negligenciado: embora as congregações reflitam, no seu aspecto humano, a complexidade da comunidade onde estão instaladas, havendo nelas machos, fêmeas, jovens, velhos, brancos, negros, amarelos, ricos, pobres, livres, servos, etc., espiritualmente, o corpo é um só, varão, porque é o corpo de Cristo, mas, funcionalmente, existe um casal, onde a Igreja é a Esposa do Cordeiro e Cristo é o Marido, o Cordeiro.
Em Ef. 5.22,23 Cristo compara a sua relação com a Igreja à figura do casamento: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo”. Ele cumpre o que está escrito: “serão dois numa só carne” (Gn. 2.24) e “... o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito”. (Iº Cor. 6.17) e aí está o casamento perfeito: a Igreja, como Esposa e Cristo, como o Marido, tendo Ele feito a obra da salvação judicial e onde, nós, a Esposa, estamos fazendo a salvação moral pelas obras, não havendo, nesse casamento, lugar para carne e sangue animais (1º Co. 15.50), que é onde está a diferença macho/fêmea. Ele e a Igreja formam um ente indivisível, tendo o Marido dado a vida pela esposa (Igreja), santificando-a, ensinando-lhe, glorificando-a e preparando-a para as boas obras. Essa é a verdadeira figura do casamento, dado como modelo para o casamento dos homens. O Senhor espera que a sua esposa ame-O, respeite-O e Lhe seja obediente. Muitas vezes a nossa vaidade humana tem posto a perder toda a obra da Igreja, porque a Esposa do Cordeiro não tem agido de maneira digna de seu Marido. O Esposo divino quer sua esposa (igreja) gloriosa, pura, santa, cheia de viço e beleza, obediente só a Ele, inclusive no uso do véu.
Embora, comumente, se use indistintamente o termo macho igual a homem e fêmea igual à mulher, na Igreja não é assim, porque macho e fêmea se referem à condição animal, biológica, da raça humana, enquanto que mulher e homem relacionam-se às funções que os crentes podem exercer dentro da obra. Todos os crentes, machos e fêmeas, é Mulher quando agem como filhos-servos de Cristo neste mundo, fazendo a obra de gerar e educar filhos para o Senhor, criando a Família de Deus e todos os crentes, machos ou fêmeas são Homem quando adoram ao Pai, na Ceia, assumindo a posição de Filhos adoradores.
Assumindo-se, pois, a Igreja como a Esposa, ela realmente deve ficar em silêncio diante de Cristo, aprendendo com toda a sujeição e humildade, não se intrometendo em assuntos de governo e ensino, que são exclusividade do Marido. A Palavra escrita, a Bíblia, não pode ser deturpada por interpretações interesseiras, onde prepondere a carne. Quando nós queremos deixar mais da metade dos cristãos – a parte feminina - calados, baseando-nos numa restrição de ordem sexual, certamente estamos interferindo no magistério de Cristo e isto fica claro na interpelação do apóstolo: “é decente a mulher orar com a cabeça descoberta?”, dando a entender claramente que, com a cabeça coberta, o é.
Por isso a Bíblia alerta: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs subtilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo:” (Col. 2. 8), “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tg. 1.5).
Desde que nós peçamos sabedoria com toda a humildade, sabendo de nossa total dependência de Deus, com o firme propósito de usar o conhecimento recebido no serviço de Cristo, entenderemos que todos os salvos, homens ou mulheres, temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações, diferenciados os serviços, apenas pelo dom que foi dado a cada um e por sua limitação bíblica.
Saberemos também que todos comparecerão ante o tribunal de Cristo, para recebermos bem ou mal, segundo o que tivermos feito por meio deste corpo de carne (Rm. 14.10), na formação e no desenvolvimento espiritual da grande família dos filhos de Deus. Que cada um faça bem firme a vocação e eleição de acordo com o dom que recebeu do Espírito Santo, pois é Ele quem pôs cada um no corpo como quis, de acordo com a sabedoria de Deus (Ef. 4.11,12). Que ninguém impeça outrem de exercer a sua vocação ou queira usurpar o seu lugar no corpo de Cristo e, principalmente, o lugar do Senhor Jesus, que é a cabeça da Igreja.
Louvado seja o nosso Deus e Pai para todo o sempre pelas suas infinitas misericórdias e pelo seu grande amor com que nos amou por sua glória e virtude. Amem!
Os membros do corpo de Cristo são todos varões, sendo varão uma referência ao homem espiritual porque, em Cristo, não há macho nem fêmea (Gal 3.28). Nós não somos membros do corpo de Cristo pela carne, mas pelo espírito, mostrando que a diferença macho/fêmea, que é da carne, não existe Nele. Como a fêmea foi criada da carne do macho (Gn. 2.21-23), anulando-se o macho, desaparece a fêmea.
Mas como fazemos a nossa obra de servos nesse corpo de carne, usado por nosso homem interior (espiritual), o Senhor determinou o uso do véu pelas mulheres, pois, na organização divina, não há sacerdotisa e elas, sendo filhos, não podem ser impedidas de agirem como sacerdotes, como está escrito para todos os cristãos: “E nos fez reis e sacerdotes, para Deus e seu Pai” (Apoc. 1.6), “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1º Pe. 2.9). Portanto, ninguém pode exercer o sacerdócio divino como mulher-fêmea.
O véu, na Bíblia, é símbolo de lei, de sujeição ao poder, dando a entender que algo ou alguém está sujeito a um poder maior e, como exemplo, podemos citar Rebeca que, ao ver seu futuro marido Isaac, cobriu a cabeça, aceitando-o como seu senhor, tornando-se serva dele, figura de Cristo e da Igreja (Gn. 24.65). Na Bíblia, quanto ao serviço, existe uma sequência: Deus não é servo de ninguém e está sobre todos; Cristo, só é servo de Deus; o homem, no seu corpo de macho, é servo de Cristo e a mulher, como fêmea, é serva do homem (Ef. 5.22-29), que é também a mesma ordem de comando: Deus, cabeça de Cristo; Cristo, cabeça do homem-macho e o homem-macho, cabeça da mulher-fêmea (1º Co. 7.3). Para que essa última dependência, macho/fêmea, desapareça, espiritualmente, a mulher coloca o véu e, sendo este a figura da lei de Cristo, fica sujeita ao Senhor, tornando-se varão, servo de Cristo como qualquer homem. Essa relação Cristo, a cabeça e varões - o corpo - é que forma a Igreja. Nessa condição, há liberdade e igualdade espiritual, pois nós todos, como sacerdotes, só devemos obediência ao Sumo-Sacerdote, que é nosso Senhor Jesus Cristo.
Em Israel, segundo se deduz da afirmação de Paulo, a mulher podia rapar o cabelo ou tosquiar-se, assumindo, dessa forma, que era livre do domínio de homem (pai ou marido) e essa era a condição das prostitutas públicas. Por isso o texto diz que “... rapar-se ou tosquiar-se é indecente...”, porque essa era uma liberdade degradante. Portanto, foi dado outro sinal da liberdade da mulher na obra de servo de Cristo: “ponha o véu” (1º Co. 11.6).
Uma mulher verdadeiramente honesta jamais se tosquiaria ou raparia a cabeça em Israel, porque era um símbolo desonroso. A lei de Moisés criou uma estrutura social baseada no sexo e na idade: o homem adulto e os anciãos estavam no topo, com o mando social e a representação sacerdotal, depois vinham os jovens machos e, por fim, as mulheres, consideradas inferiores e dependentes. Com a lei de Cristo foi rompida essa hierarquia social e era necessário um sinal, visível para todas as criaturas, dessa mudança. Além disso, para os Anjos, que sempre serviram ao Senhor fielmente dentro da casa de Israel e conhecem a Lei de Deus dada a Moisés e que não sabem a verdadeira condição da mulher crente em Cristo, as mulheres continuam sendo inferiores e, por isso, “a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos”. (Iº Cor. 11.10) e esse sinal de poderio é o véu, entendido por todas as criaturas como a mulher sujeita a uma nova lei, a de Cristo. Dessa forma, em figura confirmada por suas ações, a mulher-fêmea revela o homem encoberto no seu coração (1º Pe 3.4). Nessa condição, com a cabeça coberta, ela pode orar ou profetizar, diante de Deus, da Igreja e dos Anjos, revelando o filho do Altíssimo que está dentro dela, como um servo cumprindo o papel para o qual foi eleito e vocacionado.
Quando Deus quis mostrar até que ponto havia chegado a decadência de Israel disse: “... mulheres estão à testa do seu governo. Ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Is. 3. 12). Essa afirmação mostra qual a visão que as criaturas divinas, debaixo da lei, tinham das mulheres, além de que os anjos também quiseram propagar o evangelho de Cristo e não foi permitido, como na conversão de Cornélio (At. 10.3-6; 1º Pe 1.12), ficando difícil de entender, para eles, como se permitia a alguém inferior (segundo o conhecimento deles) fazê-lo. O véu veio sanar essa dificuldade, mostrando-lhes que os homens (machos e fêmeas) trabalhavam como servos de Cristo, sob uma nova lei. O evangelho de Jesus Cristo, que é a salvação judicial de todo o que crê, só pode ser anunciado por filhos-servos de Deus, nunca por criaturas, seja macho, fêmea ou anjo.
Quando a mulher crente está reunida com outros irmãos (homens crentes), formando dessa maneira o corpo de Cristo, precisa usar o véu, para ser tão livre como eles, servindo ao Senhor com liberdade e igualdade espiritual. Quando está só, tendo o cabelo crescido, este atua como véu, para os estranhos à congregação, porque “ ... o cabelo crescido, lhe é honroso, e lhe foi dado em lugar de véu”. (1º Co. 11.13). Assim, o véu, na reunião dos crentes, anula o sexo e a dependência macho/fêmea e a mulher-fêmea é um irmão entre os irmãos e, na sua vida normal no mundo, o cabelo comprido substitui o véu. Para os homens é exatamente o contrário, a cabeça coberta por cabelos compridos lhes desonra, porque é como se estivessem sob a dependência de outro macho. Com essa ordenação, a igualdade fica garantida e entende-se que “Deus não faz acepção de pessoas” (At. 10.34), aceitando o serviço de todos os seus servos.
Textos bíblicos são usados tanto pelos que defendem a restrição total como pelos que propagam a abertura total do serviço às mulheres.
Os que restringem, usam: “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja”. (Iº Co. 14. 34, 35);
“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito porem, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (Iº Tim. 2. 12,13). E os que liberam, contra-atacam: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (At. 2.17); “E tinha este (Felipe) quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At. 21. 9).
Aparentemente, são textos contradiz entes, mas, se situados corretamente, veremos que não há contradição alguma neles.
No Velho Testamento, Joel profetizou (Jl. 2.28) a efusão do Espírito Santo sobre a Igreja, como avisou Cristo (At. 1.5) e como ocorreu no dia de Pentecostes (At. 2.1-21). Evidentemente, a efusão do Espírito foi sobre todos os cristãos – homens e mulheres; jovens e velhos -, mesmo porque a Bíblia diz que quem não tem o Espírito de Cristo não é Dele (Rm 8.9), sendo a presença dele em nós, a confirmação da nossa salvação e filiação divina, de maneira irreversível (2º Co. 1.22; Ef. 1.13). O sinal característico da presença do Espírito Santo em nós é que profetizaremos e teremos visões e sonhos.
O que significa profetizar, ter visões e sonhos?
“ Profetizar”, etimologicamente significa “falar antes” e é, caracteristicamente, o que fez Joel anunciando a efusão do Espírito Santo mais de seiscentos anos antes do acontecimento. Todos os profetas da Bíblia agiram assim e todas as profecias que eram mister serem anunciadas aos homens já o foram, desde Gênesis até Apocalipse. Quanto à forma de anuncia-las, todos os profetas falaram publicamente, e escreveram, para que ficasse em testemunho do aviso de Deus até a data da sua ocorrência, a fim de que nenhum homem pudesse negar a misericórdia do Senhor, avisando-o dos fatos, antes que acontecessem. Assim podemos afirmar, resumindo, que: “ profeta é aquele que anuncia, pública e antecipadamente, o que Deus fará aos homens”. Profeta é o agente, profetizar é a ação e profecia, o objeto da ação.
No tempo presente, “profetizar”, segundo se depreende de 1º Co. 14.3, tem mais um significado – o de edificação, exortação e consolação, sendo sinal para os fiéis (1º Co. 14.22) e todos os crentes, homens e mulheres, podem fazê-lo. Nós vemos que as filhas solteiras de Filipe eram profetizas e que cumpriam o seu ministério, o que evidentemente significa que expunham a palavra em público, dentro da Igreja.
Mas a Bíblia não diz que profetizar, como edificar, exortar e consolar, é o único dom dos crentes, embora este seja indicado como um dom de todos. Está escrito que Cristo “... mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef. 4.11), indicando a diversidade de dons dentro da Igreja e que cada um destes dons exige uma qualificação diferenciada. Em 1º Co. capítulos 12 a 14, o apóstolo Paulo fala de diversos dons e da necessidade de ordem dentro das reuniões dos cristãos e é, nesse contexto, que ocorre a famosa proibição: “as mulheres estejam caladas nas igrejas”, logo após a afirmação que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”
Se todos podem dizer aos outro o que Cristo fez por nós, dando testemunho pessoal, edificando-nos, consolando-nos e exortando-nos uns aos outros, todos não deveremos ser usados naquelas funções para as quais Cristo tem qualificado alguns em particular, conforme a lista acima, que trata de dons específicos. E nessa qualificação, nosso Senhor leva em consideração algumas condições que Ele mesmo estabelece. Por exemplo, determina que a congregação seja governada e ensinada por “presbíteros” (anciãos, bispos - At. 14.23; 1º Tm. 5.17; Tt. 1.5) dos quais se exigem certas qualidades humanas e espirituais, sendo, necessariamente, homens casados com uma só mulher, experientes e de longa trajetória na Igreja (1º Tm. 3.2-7; Tt. 1.6-9). Não há nenhum homem que possa ter todas as qualidades do presbítero; por isso, a Igreja é governada por um presbitério, onde diversos homens maduros se completam e preenchem as qualidades exigidas por Cristo, reconhecidas neles pelos crentes. Evidentemente, quase todos os homens adultos, todos os jovens e todas as mulheres estão excluídos dessa função.
Assim como para o presbitério, usado acima como exemplo, em todos os outros dons específicos há condições específicas. Algumas atividades são comuns a todos os crentes, outras são para os homens e outras, para as mulheres. A Bíblia e o bom senso, assistidos pelo Espírito, indicam o que se deve fazer. Paulo, por exemplo, cita as mulheres que trabalharam com ele e Clemente no evangelho, como cooperadoras (Fp. 4.3), mostrando que a evangelização é comum a todos os crentes. Febe é citada como irmã que serve na igreja de Cencréia, e é quem, provavelmente, levou a carta de Paulo aos Romanos (Rm. 16.1). Essas mulheres, como cooperadoras, eram evangelistas e diaconisas.
Voltando a 1º Co. 14:34,35, observamos que, à essa proibição de falar, feita às mulheres, antecede-se a afirmação de que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz”, mostrando que as mulheres foram proibidas de falar numa reunião sem paz, com muita encrenca e confusão. Que reunião seria essa? Temos uma pista em At. 15. No primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém houve grande contenda entre apóstolos, anciãos e irmãos. E podemos ver nas cartas de João que, muitos anos depois, ainda havia contenda entre dirigentes (3º Jo. 9,10). Há outros exemplos no Novo Testamento (At. 15.36-41; Gl. 2.11-13) e as reuniões de dirigentes costumam ser, até hoje, conturbadas. Logo, o que houve em Corinto foi que as mulheres se meteram em questões do presbitério, falando e envolvendo-se com assuntos que não eram delas, como governo e ensino, inclusive desrespeitando maridos presbíteros. Por isso, a proibição está restrita às mulheres casadas, ao ensino e ao respeito aos maridos presbíteros, que tinham condição de ensiná-las em casa e não podiam ser desqualificados publicamente por suas esposas. Se um presbítero não é capaz de se impor à sua mulher, governando a sua casa (uma das condições de 1º Tm. e Tito), como vai ser capaz de se impor na Igreja?
Vemos, pelo explanado, que não há proibição para o trabalho da mulher nas igrejas e nem para o trabalho de qualquer irmão. Apenas devem ser respeitados os limites de cada trabalho e tudo feito decentemente, com ordem (1º Co. 14.40). Sempre há um risco muito grande de erro, quando se interpreta um texto fora do seu contexto, criando pretexto para qualquer tipo de ideia. Isso tem sido feito com 1º Co. 14.34,35 que tem sido generalizado para justificar qualquer proibição às mulheres.
Em Ef. 5.22,23 Cristo compara a sua relação com a Igreja à figura do casamento: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo”. Ele cumpre o que está escrito: “serão dois numa só carne” (Gn. 2.24) e “... o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito”. (Iº Cor. 6.17) e aí está o casamento perfeito: a Igreja, como Esposa e Cristo, como o Marido, tendo Ele feito a obra da salvação judicial e onde, nós, a Esposa, estamos fazendo a salvação moral pelas obras, não havendo, nesse casamento, lugar para carne e sangue animais (1º Co. 15.50), que é onde está a diferença macho/fêmea. Ele e a Igreja formam um ente indivisível, tendo o Marido dado a vida pela esposa (Igreja), santificando-a, ensinando-lhe, glorificando-a e preparando-a para as boas obras. Essa é a verdadeira figura do casamento, dado como modelo para o casamento dos homens. O Senhor espera que a sua esposa ame-O, respeite-O e Lhe seja obediente. Muitas vezes a nossa vaidade humana tem posto a perder toda a obra da Igreja, porque a Esposa do Cordeiro não tem agido de maneira digna de seu Marido. O Esposo divino quer sua esposa (igreja) gloriosa, pura, santa, cheia de viço e beleza, obediente só a Ele, inclusive no uso do véu.
Embora, comumente, se use indistintamente o termo macho igual a homem e fêmea igual à mulher, na Igreja não é assim, porque macho e fêmea se referem à condição animal, biológica, da raça humana, enquanto que mulher e homem relacionam-se às funções que os crentes podem exercer dentro da obra. Todos os crentes, machos e fêmeas, é Mulher quando agem como filhos-servos de Cristo neste mundo, fazendo a obra de gerar e educar filhos para o Senhor, criando a Família de Deus e todos os crentes, machos ou fêmeas são Homem quando adoram ao Pai, na Ceia, assumindo a posição de Filhos adoradores.
Assumindo-se, pois, a Igreja como a Esposa, ela realmente deve ficar em silêncio diante de Cristo, aprendendo com toda a sujeição e humildade, não se intrometendo em assuntos de governo e ensino, que são exclusividade do Marido. A Palavra escrita, a Bíblia, não pode ser deturpada por interpretações interesseiras, onde prepondere a carne. Quando nós queremos deixar mais da metade dos cristãos – a parte feminina - calados, baseando-nos numa restrição de ordem sexual, certamente estamos interferindo no magistério de Cristo e isto fica claro na interpelação do apóstolo: “é decente a mulher orar com a cabeça descoberta?”, dando a entender claramente que, com a cabeça coberta, o é.
Por isso a Bíblia alerta: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs subtilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo:” (Col. 2. 8), “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tg. 1.5).
Saberemos também que todos comparecerão ante o tribunal de Cristo, para recebermos bem ou mal, segundo o que tivermos feito por meio deste corpo de carne (Rm. 14.10), na formação e no desenvolvimento espiritual da grande família dos filhos de Deus. Que cada um faça bem firme a vocação e eleição de acordo com o dom que recebeu do Espírito Santo, pois é Ele quem pôs cada um no corpo como quis, de acordo com a sabedoria de Deus (Ef. 4.11,12). Que ninguém impeça outrem de exercer a sua vocação ou queira usurpar o seu lugar no corpo de Cristo e, principalmente, o lugar do Senhor Jesus, que é a cabeça da Igreja.
Louvado seja o nosso Deus e Pai para todo o sempre pelas suas infinitas misericórdias e pelo seu grande amor com que nos amou por sua glória e virtude. Amem!
A.F.S.M.
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