“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é Dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2 - 8 e 9).
“Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé”. (Tiago 2 - 24).
Temos aqui um aparente contraste; uma escritura diz
que o homem é salvo pela graça, num ato de fé; já a outra diz que o
homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. Para
podermos compreender estas escrituras, é necessário conhecer o que é “a graça
que salva” todo o homem que crê, ou que confia.
Diz Deus: “E sem derramamento de sangue não há
remissão”. (Hebreus. 9 - 22). “Porquanto
é o sangue que fará expiação pela alma”. (Levítico. 17 - 11). “E que, havendo
pôr ele feito à paz pelo sangue da sua cruz, pôr meio dele reconciliasse
consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão
nos céus. No corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele vos apresentar
santos e irrepreensíveis, e inculpáveis”, (Colossenses. 1 - 20 e 22). Portanto essa “graça que salva” dá
uma nova vida (a vida que Jesus Cristo nos deu, quando morreu por nós na cruz
central no calvário); como diz a sua Palavra: “Assim que, se alguém está em
Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez
novo” (II Corintios. 5 - 17). “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que
também com ele viveremos” (Rom. 6 - 8).
Quando o homem crê (ato de fé) em Cristo, “a graça que
salva” nele opera a vida.
“E
nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais,
em Cristo Jesus”. (Efésios. 2 - 6). Esta
é a chamada: salvação judicial, o homem natural está morto para Deus; “estando
vós mortos em ofensas e pecados”. (Efésios. 2 - 1). A Nicodemos, mestre em
Israel, Jesus disse: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não
nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Necessário vos é nascer de novo”.
(S.João 3 - 3 e 7). Porque ninguém já nasce neste mundo filho de Deus, mas
é feito filho pela nova natureza que Cristo nos deu, natureza de filho, pois
Ele é o filho de Deus e deu-nos o seu lugar quando morreu por nós na cruz,
satisfazendo a justiça divina: esta é “A GRAÇA QUE SALVA”.
A palavra de Deus diz que aquele que vive em deleites (pecados)
vivendo, está morto, “Mas a que vive em deleites, vivendo está morta”. (I
Timóteo 5 – 6), ainda que vivos como homens na carne.
Portanto essa morte espiritual é mais do que um estado
em que o homem nasce; é uma posição ativa de que somos responsáveis. “Porque
todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos. 3 - 23).
O homem é literalmente apóstata; o pecado do homem é
simplesmente a expressão da sua maldade inata; os homens querem fazer a sua
própria salvação, e é este o motivo de estarem mortos para Deus, porque só pela
graça sois salvos. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto
não vem de vós; é Dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios. 2 - 8 e 9).
Toda a palavra de Deus registrada na bíblia prova que
só somos salvos pela graça, (de graça ou não merecido) de Deus, revelada em seu
filho Jesus Cristo, pela fé na sua morte por nós na cruz.
Se isso é assim, de que justificação é esta que diz: “Vedes
então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tiago 2 -
24). Como vemos acima, o homem natural (portanto sem Cristo) está morto (I
Timóteo 5 - 6), e as suas obras são também mortas, sem nenhum valor para Deus.
“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam,
as sacrificam aos demônios, e não a Deus. Não podeis beber o cálice do Senhor e
o cálice dos demônios: não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa
dos demônios”. (I Cor. 10 - 20 e 21).
E diz também que: “Olhar altivo, coração orgulhoso
e até a lavoura do ímpio é pecado” (Provérbios 21 – 4). Portanto a
justificação de que fala Tiago 2 - 24 nada tem a ver com a salvação judicial,
que é aquela que o homem só alcança única e exclusivamente pela fé
na “graça que salva”, manifestada em Cristo, e pôr Cristo.
Essa justificação que trata Tiago em sua carta é
exigida daqueles que já são salvos pela obra redentora de Jesus Cristo,
que nasceram de novo, e por isso agora são vivos para Deus, e provam à fé
em Deus, com seus atos (obras). “Porque somos feituras sua, criados em
Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos
nelas”. (Efésios. 2 - 10). É bom lembrar que as obras que o Espírito Santo
nos fala aqui, não são as obras da carne, mas sim as obras espirituais.
Portanto esta
justificação é para a “salvação moral”, para efeito de galardão
(glória ou recompensa), e disso dá prova a Palavra de Deus quando diz: “Olhai
pôr vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o
inteiro galardão” (II João cap 1versículo
08).
“Medita
nestas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a
todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque,
fazendo isto, te salvarás tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. (I Timóteo 4 - 15 e 16). Os
atos a que se refere o nosso texto dizem mais de Abraão: “creu Abraão em Deus,
e foi-lhe imputado como justiça”; vejam a recompensa: “e foi chamado amigo
de Deus”. Creu em Deus “ato de fé” e depois ofereceu sobre o altar, a seu
filho Isaque “provou sua fé em Deus” com suas obras, pois fez o que Deus havia
lhe ordenado, e isso o “justificou, e foi-lhe imputado como justiça”. Vede
então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.“E é o
que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas
haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso
Deus” (I Corintios. 6 - 11).
Antes estávamos mortos para Deus, mas fomos primeiro salvos
(lavados no sangue do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: Jesus
Cristo), depois santificados (separados para as boas obras em
Cristo Jesus), e depois justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo
Espírito do nosso Deus (recebemos o Espírito Santo).
“Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que
nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos
corações” (II Corintios 1 – 21 e 22).
Isto quer dizer que fomos criados em Jesus Cristo, e que, cada um daqueles que
foi salvo crendo nele, é uma criação da sua mão.
Deus nos mostra com essas palavras, que não somos
destinados apenas a fazer a sua obra, mas antes de tudo, a ser a sua obra,
para que Ele trabalhe em nós, e possa assim se manifestar aos outros por nosso
intermédio. Em outras palavras: Somos sua obra, e servimos a Deus, e, é assim,
que ele forma aqueles que elegeu para serem santos e irrepreensíveis. Por seu
poder criador, nos torna capazes de entrar no serviço (do Filho), para o qual fomos
criados e postos neste mundo.
A vida cristã, e o próprio cristão são os resultados
de uma criação divina, que se desenrola a partir do novo nascimento em Cristo
Jesus, e cresce a imagem daquele que nos resgatou. De fato a salvação em Cristo
é inteiramente divina colocada em vasos de barro (nós como homens naturais e em
fraqueza), para que a excelência de seu poder seja manifestada para seu louvor
e glória. Louvado seja o Senhor para sempre. Amem!...
NFBarros