Irmãos,
Hoje a postagem refere-se ao início de um trabalho do irmão Natanael Ferreira Barros (NFB), que nos deixou tanta saudade e foi usado pelo Espírito tantas vezes para nosso ensinamento...
Acho que a melhor forma de acalentar esse sentimento é continuar a obra que nosso irmão querido ajudou a realizar. Assim, transcrevi exatamente o texto que ele criou. Aqui ele conta um pouco da história da Congregação Vila Rezende e seu próprio testemunho na obra do Senhor.
Boa leitura!
“VINDE E VEDE!”
Como se fosse um prefácio,
Escrevo estas primeiras linhas, explicando qual é o objetivo deste trabalho. Antes, um pouco de recordações. Sou participante dos trabalhos evangélicos neste lugar praticamente desde os seus começos. Essa congregação foi criada em 1971, quando se construiu o atual prédio, porque o crescimento do ponto de pregação na casa do irmão João Quintino, na vila Nhô Quim, obrigou aos crentes de Morais Barros – esse trabalho era da Morais Barros – a organizarem o serviço evangélico aqui como comunidade constituída e assim se fez. Foram seus primeiros líderes o próprio irmão João, ainda entre nós, o irmão Sutto e outros, como Omar Orgais e Otávio Zen, entre os que me lembro. E participou, desde o início, a família Alcindo Zen, totalizando umas 40 pessoas entre as que antes freqüentavam a igreja no centro mas viviam aqui no bairro e novos ouvintes.
Desde 1973, meados do ano até 1975, eu, então um jovem crente da Morais Barros, também comparecia muito às reuniões da Vila, porque ali faltavam professores para as classes dos jovens e das crianças, com as quais a Rosa Maria, minha esposa, colaborava assiduamente. Até que um dia, o irmão João, meu tio Lilo e os outros nos convidaram para assumir, de direito e não mais como visitas, uma posição no trabalho. E assim aconteceu e estamos até hoje trabalhando nessa comunidade, com uma breve interrupção entre l997 e 2000, quando a congregação foi desativada.
Foi na Vila, nos fins de novembro de 1975, que eu, pela primeira vez, usei da palavra, num domingo à noite, para ministrá-la aos crentes e, nestes 34 anos e alguns dias, o Senhor me concedeu a graça de sempre poder falar, em nome Dele, das coisas Dele. Foi assim que, estando na Vila nos inícios de 2003 e participando normalmente das reuniões, num domingo de manhã, fui chamado pelo irmão Nico Zem, logo após a Escola dominical, na qual ele era regente da classe dos adultos, que me disse:
- “Natanael, há tempos venho me sentindo incomodado com a minha saúde e quero afastar-me por alguns dias desse trabalho da igreja para fazer uns exames e preciso de alguém que me auxilie. Você pode me substituir na escola dominical, nesses dias?” Aceitei reger a classe dos adultos temporariamente até a volta do irmão Nico. Ele fazia aquele trabalho desde janeiro de 1999 quando a congregação havia sido reorganizada e, para surpresa de todos, aquela nossa conversa foi a sua despedida da igreja, porque uns quarenta dias depois, ele veio a falecer, nos primeiros dias de março, vitimado por uma doença terrível que se revelou somente na sua fase terminal. Os irmãos me confirmaram na função e ali estou há quase sete anos.
Desde a minha mocidade tive a sorte de ver e ouvir grandes irmãos no evangelho e, tendo nascido dentro da igreja, da qual a minha família faz parte desde 1915, pude anotar grandes ensinos, tendo convivido com muitos crentes, da cidade e de fora e fui participante da vida da igreja, em milhares de reuniões. Dessa forma reuni um grande cabedal de valores bíblicos que procuro passar aos crentes que me ouvem, mas nunca me preocupei em gravá-los por escrito, sendo a forma oral a costumeira e tradicional no nosso meio.
Entretanto, algo me aconteceu em 2008, que me fez refletir: em outubro daquele ano tive um derrame cerebral no Paraguay, de seríssimas conseqüências, que me deixou todo paralisado e à beira da morte, longe de casa, para onde só voltei em dezembro, em muito más condições. Percebi, então, que a juventude havia passado e a maturidade se transformou em velhice em apenas uma noite, como me disse o médico: -“O senhor deitou-se com 60 anos e, tendo o derrame na madrugada, acordou dias depois, vivo, por sorte, mas com 90 anos. Agora é aprender a viver a sua nova idade e nas suas novas condições.” Estou, por isso, aprendendo a viver, recuperando a mobilidade e tenho, por graça especial de Deus, completamente restaurada a fala e o raciocínio e a primeira coisa que me preocupou foi essa necessidade de escrever para perpetuar o trabalho que fazemos, continuando vivo depois que o meu tempo de servo acabar, porque as palavras voam e desaparecem, depois de ouvidas por um ou outro, mas o escrito permanece para sempre.
Nesse sentido, vejo como mais eficaz, e de melhor resultado, o texto escrito que será a palavra falada cada vez que alguém ler o que se escreveu e que faz com que algo que o Senhor nos deu permaneça por muito tempo, mesmo depois de nossa partida. Sem nenhuma pretensão de fazer história, mas de apenas relembrar assuntos importantes para nós, coletamos os textos que fazem parte desta obra, nas muitas aulas da classe dos adultos da Escola Dominical na Casa de Oração de Vila Rezende e os entregamos ao leitor que tem participado conosco desses estudos e aos outros, que compulsarem este livro, se houver.
Assim surgiu - “Vinde e Vede!”. Esse nome é uma citação do que Cristo disse aos seus discípulos no início da Sua obra de revelação do Pai aos homens, quando eles Lhe perguntaram onde morava (Jo 1:35-39) e Ele chamou-os para conhecer a sua morada, indicando que começava ali a ser desvendados o endereço da Sua casa, como chegar a ela, qual a forma como foi construída e quais eram as regras para se viver nela. Esse é o trabalho que continua sendo feito pelo ensino bíblico nas igrejas, através dos séculos e esses escritos são o resumo da nossa humilde participação nessa obra. Eu sou muito mais um escriba que rememora o que ouviu e aprendeu com todos os crentes nesses tantos anos do que um inspirado autor original e entendo o nosso trabalho tal como diz o apóstolo: não me canso de repetir as mesmas coisas porque é para nossa segurança, mantendo o trilho e caminhando nos caminhos do Senhor. Graças a Deus que esse não é um trabalho solitário, mas muitos são os crentes que anotaram estudos, ensinos, palestras e fizeram um extenso “ajuda-memória” que serviu de embrião para os textos finais e eu me lembro, com carinho e amor, do trabalho da minha companheira e esposa Rosa que organizou os apontamentos, produzindo, todos nós, uma obra coletiva. Que Deus abençoe essa pequena contribuição na obra do evangelho e que ela seja frutífera, ajudando os irmãos a não perderem de vista o alvo da nossa fé comum!
Artemis, 14/12/09 (NFB)
Lindas palavras, me emocionei, glória seja o nome do Senhor!!! Saudades do irmão Nata!!!
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